28 de abr. de 2022

UniFG: Consumo abusivo de álcool pode potencializar depressão, ansiedade e até aumentar o risco de suicídio, diz especialista

Grave problema de saúde pública traz consequências negativas para a pessoa que apresenta a dependência, sua família e toda a sociedade 

 O uso abusivo e dependente de álcool pode provocar alterações de humor e potencializar episódios de depressão e ansiedade. Além disso, a prevalência da tentativa de suicídio é maior em usuários de substâncias psicoativas como o álcool. 

Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) durante a pandemia de Covid-19, revelou que existe uma associação entre o sofrimento psíquico e o aumento do consumo de álcool. Entre as pessoas entrevistadas que relataram se sentir tristes ou deprimidas, foi observado um aumento da ingestão de álcool acima da média geral.   


De acordo com a psicóloga, especialista em Saúde Mental e Substâncias Psicoativas e professora do curso de Psicologia do Centro Universitário UniFG, Miriã Lima, é muito comum as pessoas enxergarem o álcool como uma espécie de remédio, uma estratégia para alívio da tristeza e da ansiedade: “Na pandemia isso foi intensificado e, de fato, por ser uma droga depressora do sistema nervoso central, pode trazer um alívio imediato”. 


Contudo, destaca a professora universitária, a saúde mental requer cuidados que vão além de um alívio imediato. “Isso mostra a necessidade de fortalecer as ações de cuidado na saúde mental e desmistificação do preconceito que impedem as pessoas de buscarem ajuda”, sublinha. 


Apesar de grande parte das pessoas que fazem uso nocivo do álcool apresentarem dificuldade em assumir que têm a dependência, a especialista alerta para a importância de se atentar aos sinais do alcoolismo e buscar ajuda especializada. 


“Considera-se dependência, segundo a Classificação Internacional de Doenças 10 (CID 10), quando a pessoa apresenta um desejo forte para consumir a substância, dificuldade em controlar o comportamento de consumir o álcool, estado de abstinência diante da falta da substância, aumento de doses, evidência de tolerância, abandono progressivo de prazeres alternativos em favor do uso do álcool e persistência do uso mesmo diante de prejuízos vivenciados tanto na saúde, como nas relações familiares e trabalho”, explica. 


A psicóloga Miriã Lima ressalta a necessidade da implementação de programas de prevenção contra o alcoolismo guiados por evidências científicas nos diversos contextos. “Precisamos unir esforços para a busca de modelos de proteção e produção de saúde, reconhecimento do sujeito que faz uso, enquanto pessoa, e na desmistificação dos preconceitos associados ao uso”, finaliza. 

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