'Fé, persistência e malícia': Em peça, Matheus Boa Sorte mostra sertão além da seca

BAHIA NOTÍCIAS

por Júnior Moreira Bordalo

'Fé, persistência e malícia': Em peça, Matheus Boa Sorte mostra sertão além da seca
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias
Sucesso na TV Aratu há cinco anos com o semanal “Dendê na Mochila” – atração mais premiada da afiliada do SBT – o comunicador e cantor Matheus Boa Sorte irá se aventurar no teatro. A peça “Sentimento Sertão” estreia neste sábado (5), no Teatro Módulo, às 20h, onde seguirá no mesmo dia até o final de outubro.

O projeto é resultado de dois anos de maturação. “É fruto das palestras que já fazia. Só que agora se torna um espetáculo muito aberto, onde em canto, faço as poesias e trago as histórias que conheci pelo Brasil. Defendo o sertão não como um canto do Brasil que costuma chover pouco. É um sentimento solidificado em pessoas que vivem ou não nesse pedaço do nosso País. Pessoas que carregam fé, persistência, coragem e um pouco de malícia”, inicia em entrevista ao Bahia Notícias. Os ingressos custam R$ 50 e R$ 25. No palco, Matheus é acompanhado pelo sanfoneiro Daniel Frota.

Nascido e criado em Guanambi, alto sertão baiano, Matheus começou na comunicação aos 11 anos – desestimulado pela família –, na rádio do município. “Uma vez, a professora perguntou o que queria ser e respondi: ‘Cantor de forró e apresentador do SBT’. Todos riram, obviamente”. De lá, migrou para Vitória da Conquista e em seguida surgiu a oportunidade de estagiar na Aratu. “Venho para Salvador em 2015 para ser repórter do ‘Universo Axé’, mas já tinha o sonho de ter um programa como o ‘Dendê’, que surgiu depois para tapar um buraco nas tardes de sábado por uma temporada”.  
Ele admite que a forma simples de encarar a vida veio justamente da educação que teve em casa. “Meu pai sempre diz: ‘Para nós o necessário, para os outros aquilo que precisam’. Meu pai é um ser humano diferente. Ele me ensinou a ter uma relação muito bonita com as pessoas ao meu redor e me mostrava coisas do sertão. O curral para mim tem uma simbologia porque ele me ensinou isso. Os grandes amigos de meu pai eram pessoas simples. Ele sempre me disse que o simples é uma das coisas mais luxuosas”, lembrou.  

Com mais de 300 municípios visitados, distribuídos em 21 estados e nove países, ele reafirma que sempre quis ter um programa de TV que falasse das pessoas do interior. “Não me sinto tão bem na casa de uma pessoa bem de vida como me sinto na casa de uma pessoa mais simples”, pontua. “O ‘Dendê’ nasceu para ser de turismo, mas acho que hoje é, acima de qualquer coisa, um programa de comportamento, pois são as histórias das pessoas que se tornaram o grande atrativo. Quando me param na rua falam sempre [sobre] quatro coisas: a poesia que conto, que eu como muito, tomo cachaça e a maneira como trato as pessoas simples”, enaltece.

Para Boa Sorte, o maior orgulho da atração é a possibilidade de dar visibilidade a pessoas “que possivelmente não seriam mostradas em nenhuma outra atração da TV brasileira”. “Elas só apareceriam se fosse por algum desastre, se a seca por ali fosse maior. Vou ali para mostrar que a comidinha dela tem um tempero especial, sabe? Muita felicidade pela liberdade que a Aratu me dá. O programa é tão simples que é sofisticado”, orgulha-se.  

INSPIRAÇÕES
Quem viveu na Bahia no início dos anos 2000 deve lembrar do extinto “Na Carona”, atração de viagens da TV Bahia comandada por Liliane Reis. O programa foi extinto em 2005, mas Matheus admite que foi uma das inspirações para o “Dendê”. “Até hoje, quando viajo pelas cidades, as pessoas falam do programa. Mas acho que o ‘Dendê’ tem a linguagem do sertão que se diferencia. Hoje com as tecnologias temos outro distanciamento também. O ‘Na Carona’ tinha o direcionamento em contar a história do município. No ‘Dendê’ você não vê isso. Mas foi um programa muito importante para os municípios. Acho que se a TV Bahia voltasse seria muito rico".
Ao ser questionado se não teme o esgotamento do formato, mostra-se confiante. “Não. Quando olho os números de audiência eu vejo que está longe. Estamos há dois anos na segunda posição isolada no Ibope, com uma atração gravada. Além disso, as pessoas são diferentes, as histórias são inúmeras. Você saberia me dizer qual a comida típica da Bahia, por exemplo? Para mim é pirão de galinha caipira, já que acho isso em todas as cidades que visito. Não é o acarajé, a moqueca”.

Rasgando elogios para a empresa que trabalha, ele confessa que o programa é “realmente diferente do conteúdo que é produzido pela TV” e revela que a única dificuldade para a implementação foi a questão financeira. “Pequenos ajustes”, minimiza.

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