10 de jul de 2017

40 anos da REG – RESIDÊNCIA DOS ESTUDANTES DE GUANAMBI EM SALVADOR (1977/2017)



A REG
Por José Roberto Teixeira

Não passou despercebida da história a luta dos estudantes e a conquista da Residência dos Estudantes de Guanambi em Salvador – REG.

Em meados nos anos 70, o Brasil vivia um ambiente de efervescência dos movimentos populares, especial os estudantes que resistiam bravamente o regime militar, dando contribuição histórica para o restabelecimento do estado de direito e ampliação das liberdades democráticas.

Guanambi era uma pequena cidade com menos de 20 mil habitantes, com uma pequena estrutura de bairros em relação a um centro comercial e uma economia baseada fundamentalmente da agricultura de subsistência e na pecuária. Nesse mesmo tempo já anunciava a abertura da nova fronteira agrícola, o desbravamento das matas do IUIU, que mudaria radicalmente o panorama sócio econômico de Guanambi.

As famílias de classe média e os ricos de Guanambi, mantinham seus filhos estudando na capital em contato com essa atmosfera movimentada, farta movimentação cultural e política, rico ambiente social, completamente diferente do vivido aqui na pequena e pacata cidade do interior.

Quando voltavam de férias, com as cabeças fervilhando de idéias, os estudantes se reuniam e promoviam atividades culturais como amostras musicais, peça de teatro, recitais e exposições de fotografias, no que deram o nome de TRABALHO DE FÉRIAS. A comunidade se encantava com as novas experiências e lotavam ambientes como os clubes da Associação de Assistência Social e da Associação dos Amigos de Guanambi, para ver o trabalho da juventude.

Em 25 de maio de 1975, foi criando o Centro Estudantil de Guanambi, o CEG, com o propósito primeiro de cristalizar o “trabalho de férias” e de ser a entidade de luta dos estudantes por um ensino público gratuito. Aos anos seguintes foram de uma enorme contribuição dos estudantes na formação sociocultural do nosso povo. Guanambi passou a ter contato com uma nova realidade. Sob a égide do CEG, foram realizadas os grandes Encontros Culturais, que reuniam os artistas e suas artes em memoráveis semanas de culturas com extensas programações: Palestras, Debates sobre temas nacionais, Peças de Teatro, Exposições de Pinturas, Poesias e Fotografias.

Em meio a essas discussões, surgiu a ideia de criar uma casa para abrigar os estudantes carentes de Guanambi em Salvador, viabilizando o acesso destes no curso superior. A comunidade escolar, professores, pais e estudantes, abraçaram de pronto a nova proposta que ganhou corpo, ganhou as ruas e virou bandeira de luta. Mas ganhou também a resistência da burguesia e do poder local. 

Em 1977 os estudantes travam uma grande luta pela criação da REG – Residência do Estudante de Guanambi em Salvador, mobiliza a população, realizaram grandes atos públicos, passeatas, peças de teatro nas praças públicas, e manifestos na porta da Prefeitura. Pressionado e sensibilizado ante a justeza da proposta, o poder público cede, o prefeito José Neves Teixeira, Binha, aluga uma Casa em Salvador, a comunidade se coloca à disposição para mobília-la, enquanto os estudantes cuidam da elaboração de um regime interno e da seleção dos primeiros residentes. A REG estava finalmente criada e cumpre de forma espetacular a sua finalidade, contrariando todas as expectativas dos seus opositores. A REG passou a ser um endereço de Guanambi em Salvador, uma referência também para familiares de pessoas em tratamento médico na capital, um ponto de apoio para jovens prestando concursos. Incontestável sua viabilidade.

Em 1982, Nilo Coelho assume a prefeitura e corta o aluguel da casa. Um verdadeiro drama para muitos jovens carentes que tiveram que retornar sem concluir seus estudos, um golpe cruel nos sonhos de muitas famílias pobres que esperavam ver seus filhos voltando com o diploma de um curso superior, já que a REG era o único meio disso se tornar possível.

Em 1991 com a articulação de forças e a pressão da comunidade, no governo Vá Boa Sorte a REG é reativada e volta a cumprir sua grande função social.

Desde 1977, passaram pela casa um grande número de pessoas que se formaram em direito, arquitetura, medicina, administração, odontologia e diversas outras áreas. Grande parte desses novos profissionais voltou para Guanambi e atuam até hoje em nosso meio. Outros tantos se espalharam pelo Brasil e dignificam com seus ofícios o bom nome da nossa terra.


A REG tem uma história de contribuição a nossa comunidade que não pode ser ignorada pelo atual prefeito. Fecha-la é incorrer num erro histórico contra o povo de difícil reparação.