17 de out de 2015

Colapso em Sobradinho compromete abastecimento no NE

BRASIL POLITICA LIVRE

Foto: Reprodução
Reservatório de Sobradinho possui apenas 6% de sua capacidade plena de armazenamento de água
Com apenas 6% de sua capacidade plena de armazenamento de água, o reservatório de Sobradinho vive o risco de entrar em colapso e comprometer o abastecimento de água da região Nordeste. Dia após dia, piora a situação deste que é a segunda maior caixa d’água do País, localizada no Rio São Francisco, na Bahia. Os dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que, mesmo após uma série de medidas para guardar água, a queda no volume da represa é diária e a situação tende a piorar nos próximos dias, por conta da escassez das chuvas. Nesta próxima semana, a expectativa é de que chova apenas 26% da média histórica da região Nordeste para esta época do ano. Com esse resultado, todos os reservatórios do Nordeste, que hoje estão com 11% de capacidade, devem cair para cerca de 8%. O caos de Sobradinho já serviu para produzir uma pilha infindável de processos contra a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), estatal do Grupo Eletrobras que opera uma sequência de oito hidrelétricas erguidas no São Francisco. Mais de 300 ações judiciais chegaram à empresa, apresentadas por pessoas e empresas que se sentiram prejudicadas pela constante redução da vazão do reservatório. José Carlos de Miranda Farias, presidente da Chesf, diz que “a situação é preocupante e merece toda a atenção”, mas afirma que a redução do volume de água liberado pelo reservatório de Sobradinho respeita um conjunto de decisões técnicas e determinações feitas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Além disso, segundo Miranda, a diminuição de vazão é o que ainda tem permitido o acesso à água na região. “Hoje estamos com uma vazão de 900 metros cúbicos por segundo. Se não existissem os reservatórios e a possibilidade de controle hoje a vazão natural na região de Sobradinho seria de 300 metros cúbicos”, afirma Miranda.”Temos explicado para a população que se tratam de decisões necessárias para que não haja colapso. Se mantivéssemos as vazões normais, não haveria água hoje.” Duas semanas atrás, a Agência Nacional de Águas (ANA) alterou a vazão da usina de Três Marias, que é o reservatório de cabeceira do Rio São Francisco e que fica antes de Sobradinho. Segundo maior da bacia, Três Marias teve seu volume de água ampliado de 300 m3/s para 500 m3/s, para tentar garantir que Sobradinho chegue em condições mínimas de operação em novembro, quando começa o período chuvoso. São grandes os riscos, porém, de que Sobradinho zere seu reservatório e atinja o “volume morto”, como aconteceu com o Sistema Cantareira, em São Paulo. Essa possibilidade, inclusive, já chegou a ser alertada meses atrás pela Agência Nacional de Águas (ANA). A Bacia do São Francisco abastece 97% da região Nordeste do País. Dentro dessa Bacia, Sobradinho e Três Marias respondem por 90% do volume de água, daí a relevância desses dois reservatórios para toda a região. Em junho, Sobradinho teve sua vazão reduzida para 900 m3/s, quando a quantidade mínima que o reservatório tem autorização para operar, em condições normais, é de 1.300 m3/s. Mesmo em 2001, ano do racionamento de energia, a operação do reservatório chegou ao mínimo de 1.000 m3/s. Trata-se da pior seca na região desde o início da série histórica, há 84 anos. Na última quinta-feira, o diretor do ONS, Hermes Chipp, afirmou que já está sendo analisada a possibilidade de nova redução na vazão do rio, caindo para 800 m?/s. A preocupação hoje não está relacionada a risco de falta de energia, dado que há um conjunto de usinas térmicas em operação na região, além de conexões com o sistema interligado nacional, que garante o acesso à energia. O problema é garantir o abastecimento de água para a população. Por meio de nota, a ANA informou que continua monitorando a bacia do Rio São Francisco “com a atenção que a situação requer, tendo em vista que o início da estação chuvosa pode atrasar”. Segundo a agência, está prevista para a última semana de outubro uma reunião na sede da ANA com representantes de todos os setores usuários da bacia e representantes do poder público para avaliar a situação da Bacia. “Nesta reunião, poderão surgir sugestões de medidas, que serão avaliadas antes de serem implementadas.”
Estadão Conteúdo