A educação na terra de Anísio Teixeira

João Augusto de Lima Rocha, professor da Escola Politécnica da UFBA e membro do Conselho Curador da Fundação Anísio Teixeira



Convidado a participar da Jornada Pedagógica que se realizou em Caetité, terra do nosso maior educador, Anísio Teixeira, na primeira semana do mês em curso, volto animado com o resultado da iniciativa da Secretaria de Educação do município de divulgar entre os professores da rede municipal as inovadoras propostas de seu fiho ilustre, que terminaram por mudar completamenrte a educação brasileira, no século passado.

O tema central do evento foi o título de um livro que organizei, intitulado Anísio em Movimento, lançado em 2000 pela Editora do Senado Federal, na sua prestigiosa coleção Biblioteca Básica Brasileira. Prefaciada pelo Acadêmico Alberto Venâncio Filho, a obra contém contribuições de inúmeras personalidades do mundo da educação e da cultura, dentre elas Afrânio Coutinho, Antonio Houaiss, Artur da Távola, Darcy Ribeiro, Carlos Eduardo da Rocha, Diógenes Rebouças, Haroldo Lima, Hildérico Pinheiro de Oliveira, Iracy Picanço, Jorge Hage e Thales de Azevedo. È o começo de um processo que visa fazer com que Caetité vá além da simples louvação do educador, e passe pelo conhecimento de sua obra, para atingir a fase da aplicação atualizada da imenso legado educacional de Anísio Teixeira.

Em março do corrente ano, completam-se 40 anos da controvertida morte do educador. Portanto, nada mais justo que procurarmos revivescer-lhe a memória, através da divulgação e discusão de sua obra, que agora, felizmente, encontra-se completamente reeditada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de estar disponível na página da Biblioteca Virtual Anísio Teiuxeira, a qual conseguimos trazer para a Bahia, à disposição, na internet, em http://www.bvanisioteixeira.ufba.br.

Em Catité funciona, há mais de dez anos, a Casa de Anísio Teixeira, no belo sobrado que pertenceu a seu pai, o médico Deocleciano Pires Teixeira, falecido em 1930.

A Casa é hoje um centro cultural de caráter regional, que recebe milhares de pessoas, anualmente, certamente a maior atração da cidade que se orgulha da grande sensibilidade de seu povo para as questões da cultura. A inciativa de recuperação da Casa foi da Fundação Anísio Teixeira, que contou com o apoio decisivo dos Governos Paulo Souto e César Borges.

Em Caetité nasceram muitas figuras ilustres, além de Anísio Teixeira. É de lá, por exemplo, o primeiro governador eleito da Bahia, o médico Joaquim Manoel Rodrigues Lima (1845-1903), que governou o Estado de 1892 a 1896, período extremamente conturbado, em plena passagem do Império à República. Para se aquilatar o significado de seu governo, em termo do que contribuiu para dar estabildade á proposta republicana, em nossa terra, basta observar que a Bahia teve sete governadores, desde o final de 1889, quando a República foi proclamanda, até a sua posse, em 1892.

O Governador Rodrigues Lima, médico e herói da Geuerra do Paraguai, era genro de José Antônio Gomes Neto (1822-1890), baiano, nascido em Ceraíma, hoje município de Guanambi, que foi um magistrado, formado no Recife, que depois se tornou o Barão de Caetité, chefe do Partido Liberal na região.

Tal como a Casa de Anísio Teixeira, existe um sem número de edificações tombadas pelo Patrimônio Público, em Caetité, cuja preservação faz-se necessária, na medida em que, além da importância arquitetônica, tem também o grande significado histórico estadual. O principal exemplo é a Casa do Barão de Caetité, uma residência colonial de grande imponência, situada na rua que leva o seu nome, marcada, antes de tudo, pela curiosidade da existência de um túnel que a interliga com a igreja de São Benedito, a ela oposta, na mesma rua.

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que tem uma unidade de História em Caetité, vem classificando o material encontrado na Casa do Barão de Caetité, havendo notícia de que uma importante linha de pesquisa foi iniciada, com base nas ricas infoprmações lá encontradas.

Caetité aguarda ansiosa que Governo do Estado, assim como das vezes anteriores, atenda a seu pleito de incorporar à UNEB o patrimônio cultural valioso representado pela Casa do Barão.

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Um comentário:

EDSON LEAL DA SILVA disse...

Peço licença a todos para falar um pouco do muito sobre o saudoso HILDÉRICO PINHEIRO DE OLIVEIRA, grande educador, diretor do INEP, presidente do Conselho Estadual de Educação, professor catedrático da Escola Politécnica da UFBA, engenheiro civil, Um ser humano ímpar, exemplar, uma dignidade impecável, notório saber técnico, dominava todas as áreas da engenharia civil, excelente estrategista, conhecido na década de 70 como ganhador de concorrencias públicas de obras do governo nas tres esferas do executivo. Tive o privilégoi de ter sido seu aluno e trabalhar com ele na Construtora A Portela S/A.
Ao longo dos anos montou uma biblioteca em sua casa da Rua Bela Vista do Cabral, nº 50, no Bairro de Nazare, em Salvador, com mai de 5.000 exemplares. No seio familiar era tratado carinsosamente por "dequinho". Dr. Hildérico, obrigado por tudo, muito do que sei hoje, muito do que tenho agradeço a grande ajuda que o senhor nos deu a mim e minha família. Descanse em Paz!

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