PORTAL VERMELHO: Consulado dos EUA reúne influenciadores anti-Lula em SP

 


Diplomacia norte-americana usa debate sobre redes como fachada para interferir nas eleições brasileiras ao reunir influenciadores de extrema direita

por Davi Dmolir


Em meio ao acirramento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, o Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo tem promovido encontros com influenciadores digitais alinhados à extrema direita e opositores ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os encontros, realizados em grupos reduzidos, têm como pretexto discutir a liberdade de expressão e o ambiente digital. Mas a iniciativa é um evidente sinal da gestação de um movimento articulado da direita internacional voltado para interferir no resultado das eleições brasileiras.

A informação foi divulgada pelo jornalista Leandro Demori e confirmada por participantes das reuniões. Um dos encontros ocorreu na semana passada. Entre os presentes estavam Maria Fernanda Schmidt, apresentadora do canal Brasil Paralelo, o jornalista Leandro Narloch e Rafael Ferri, apresentador do podcast Café com Ferri. Fotografias da reunião também registraram a presença de Penélope Nova. Os participantes produzem conteúdo de oposição sistemática à atual gestão federal.

Em publicação feita em suas redes sociais no dia 23 de julho, Maria Fernanda Schmidt relatou o encontro e afirmou que a conversa abordou os desafios enfrentados por produtores de conteúdo no ambiente digital e os rumos da liberdade de expressão no Brasil.

Procurado pela imprensa, Leandro Narloch classificou a agenda com o corpo diplomático como protocolar, mas recusou-se a dar detalhes das discussões. Segundo a apuração de Demori, outros influenciadores da mesma corrente política também receberam convites para novas rodadas de conversa, enviados por canais oficiais do Consulado norte-americano, incluindo mensagens em redes sociais. A previsão é de que outros encontros tenham continuidade nas próximas semanas.

Até o momento, o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo não se pronunciou publicamente sobre os critérios ou os objetivos das reuniões.

Escalada diplomática e interferência

A aproximação com influenciadores ocorre em paralelo a outras movimentações de Washington que o governo brasileiro enxerga como tentativa de interferência em assuntos internos. Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil negou pedidos de visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA, Riley Barnes e Samuel Samson.

A justificativa oficial americana era realizar contatos institucionais e debates sobre o ambiente digital, mas análises da diplomacia brasileira e relatos da imprensa internacional apontaram que a missão buscava levantar questionamentos sobre o sistema eleitoral do país.

No mesmo período, a administração americana renovou por mais um ano a declaração de emergência nacional em relação ao Brasil com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. No documento formal, Washington inventa acusações sobre perseguição política no país.

A democracia brasileira sob ataque
Membros do governo e analistas apontam a existência de uma estratégia articulada do governo Trump. Enquanto ações norte-americanas oficiais diretas para questionar a lisura do processo eleitoral são barradas, representações regionais buscam aproximação com militantes digitais de extrema direita para operar a difusão das mesmas narrativas falsas sobre a democracia brasileira.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CASARÃO DE DONA DEDÉ REÚNE CULTURA E HISTÓRIA