Inema destaca papel das Unidades de Conservação durante Seminário Internacional de Turismo Sustentável
Foto: Matheus Lemos/ASCOM
A construção de novos modelos de desenvolvimento turístico alinhados à conservação ambiental e ao fortalecimento das comunidades locais esteve no centro das discussões promovidas durante o IV Seminário Internacional de Turismo Sustentável (SITUS 2026), realizado nesta terça-feira (09), em Salvador. Representando o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o coordenador de Gestão das Unidades de Conservação, Mateus Camilo Leite, ministrou a palestra “Destinos Regenerativos: Crescer Menos ou Crescer Melhor?”, abordando os desafios e oportunidades da transição para um turismo capaz de gerar impactos positivos nos territórios.
A apresentação destacou a evolução do conceito de turismo sustentável
para o turismo regenerativo, abordagem que busca não apenas minimizar impactos
ambientais, sociais e econômicos, mas contribuir ativamente para a recuperação
de ecossistemas, o fortalecimento das economias locais, a valorização cultural
e o aumento da resiliência das comunidades. Nesse modelo, o território é
compreendido como um sistema vivo, onde visitantes, moradores, empreendedores e
gestores públicos compartilham responsabilidades na conservação e no
desenvolvimento dos destinos.
“Se de um
lado temos a pressão por ampliar o fluxo de visitantes e os indicadores
econômicos, de outro existem limites ecológicos que precisam ser respeitados. O
turismo regenerativo não rejeita o crescimento, mas propõe uma reflexão sobre o
que cresce, em que ritmo e para quem esse crescimento gera benefícios. São
questões que precisam anteceder qualquer estratégia de expansão”, destacou
Camilo.
Durante a palestra, o coordenador apresentou a experiência do Inema na
gestão das Unidades de Conservação (UCs) da Bahia, espaços que desempenham
papel estratégico na proteção da biodiversidade e na promoção do uso público
sustentável. O Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC) reúne
atualmente 45 unidades estaduais, distribuídas entre categorias de proteção
integral e uso sustentável, incluindo parques estaduais, áreas de proteção
ambiental, monumentos naturais, estações ecológicas e refúgios de vida
silvestre. Entre os instrumentos de gestão adotados pelo Estado estão os planos
de manejo, os conselhos gestores e as diretrizes específicas para visitação e
pesquisa.
“Nas UCs,
a visitação é orientada por normas que buscam assegurar a proteção dos recursos
naturais, ampliar o acesso democrático aos espaços protegidos e estimular ações
de educação ambiental e participação social. Nesse contexto, o turismo passa a
ser compreendido como uma ferramenta de conservação, capaz de aproximar a
sociedade das áreas protegidas e gerar benefícios econômicos para as
comunidades do entorno”, complementa o coordenador ao apontar a relação entre
conservação e turismo como uma das principais oportunidades para a consolidação
de destinos regenerativos.
A apresentação também trouxe referências internacionais e nacionais que
vêm incorporando o turismo regenerativo às suas estratégias de desenvolvimento.
Experiências desenvolvidas em países como Nova Zelândia, Canadá e Costa Rica
demonstram como a atividade turística pode contribuir para a restauração
ambiental, a valorização do patrimônio cultural e o fortalecimento das
economias locais. No Brasil, iniciativas do Ministério do Turismo e do
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vêm ampliando
o debate sobre turismo comunitário, resiliência climática e conservação
associada ao uso público de áreas protegidas.
Na Bahia, diversas ações já dialogam com os princípios do turismo
regenerativo. Entre elas estão projetos socioambientais voltados à
meliponicultura e ao turismo de base comunitária, iniciativas de educação
ambiental em unidades de conservação, a requalificação de estruturas de
visitação nos parques urbanos de Pituaçu e Abaeté, o fomento na implementação
de trilhas de longo curso no território da Chapada Diamantina, o incentivo à
observação de aves, a capacitação de comunidades locais para atividades ligadas
à gastronomia e o desenvolvimento de projetos de turismo sustentável em parceria
com instituições nacionais e internacionais.
Fonte
Texto:
Matheus Santana/ASCOM

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