PSB40NACIONAL: Dia 25 de maio é dia internacional da África?

 

                                                            Por Prof. Dr. Ivanir dos Santos

“Quando rejeitamos a história única, quando percebemos que nunca existe uma história única sobre lugar nenhum, reavemos uma espécie de paraíso”. ADICHIE, Chimamanda Ngozi, 2019:16-17.

Não, dia 25 de maio é o Dia Internacional “das Áfricas”.

A ideia de pensar e expressar “África” no plural está em sintonia com todas as suas multiplicidades, pluralidade e singularidades construídas milenarmente pelas comunidades africanas, bem antes dos processos de colonização e escravidão dos países europeus sobre o continente.

A data em comemoração ao Dia da África foi instituída em 1972 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em menção à criação da Organização de Unidade Africana(OUA), que atualmente é conhecida como União Africana (UA).
Fundada em 25 de maio de 1963, na Etiópia, a OUA tem como objetivo defender e emancipar os países do continente, fortalecendo as diversas gerações pós-coloniais que lutaram para a reconstrução da unidade africana e resistiram contra os processos de assimilações culturais, espirituais e religiosas.

E foi pensando na possibilidade de construir uma unidade africana, voltada para um projeto político e pedagógico “enegrecedor” pós-colonial no continente africano, que intelectuais africanos buscaram, no século XX, reescrever uma História da África que pudesse evidenciar as experiências das comunidades e sociedades africanas enquanto sujeitos de suas próprias histórias.

Uma história que pudesse ser construída longe das interpretações simplistas, racistas e preconceituosas. Tal proposta foi alcançada com a coleção História Geral da África (HGA).

Uma obra monumental e interdisciplinar publicada originalmente em francês, inglês e árabe, com o objetivo de envolver e proporcionar leituras descolonizadas sobre o continente africano. Produzida ao longo de 30 anos a coleção HGA contou com a participação de 350 especialistas dos quais dois terços eram africanos.

No Brasil, a obra foi publicada na década de 1980 e reeditada pela UNESCO (Organização do Sistema das Nações Unidas) em 2010, tornando-se uma das grandes referências sobre o tema após a promulgação da lei 10.639, que torna obrigatório o ensino das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras nos planos pedagógicos e formativo do nosso país.

Assim, o dia 25 de maio não é apenas uma data comemorativa, mais também um marco e ato político anticolonial. Ao celebrarmos a data, voltamos para a necessidade de reescrevermos uma história sem racismo, preconceitos e intolerâncias.



Autor: Thais Vital


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