Centro de Documentação e Memória do Recôncavo é inaugurado no Museu Wanderley Pinho
Foto: Fernando Barbosa/IPAC
Recôncavo Baiano passou a contar com um novo espaço voltado à preservação, pesquisa e difusão das memórias e saberes do território. Instalado no Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, na Enseada do Caboto, em Candeias, o Centro de Documentação e Memória do Recôncavo foi inaugurado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), em parceria com a Fundação Pedro Calmon (FPC), unidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), na tarde desta quinta-feira (14).
A escolha
da data buscou reforçar o simbolismo do período posterior ao 13 de maio,
estimulando reflexões sobre os limites da abolição formal da escravidão e a
importância da preservação das histórias, experiências e contribuições da
população negra para a formação do país.
Durante a
cerimônia, o diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos Filho, destacou a relação
entre memória, patrimônio e pertencimento. “É um dia emblemático para o povo
preto, que nos faz refletir sobre o nosso lugar na sociedade, em sintonia com o
novo conceito do museu, que passa a recontar a história a partir das narrativas
africanas e indígenas. O Centro é uma semente plantada agora para ser
fortalecida ao longo do tempo, atraindo pesquisadores, parcerias e novas
produções de conhecimento”, afirmou. “Patrimônio, história e memória caminham
juntos”, completou.
A
inauguração integrou uma programação especial voltada à valorização das
narrativas negras, populares e das memórias coletivas do território.
Autoridades e representantes das instituições parceiras ressaltaram a
importância do novo espaço para a salvaguarda documental e o fortalecimento das
políticas públicas de memória na Bahia.
Segundo o
diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia, Jorge Vieira, a iniciativa
representa um compromisso do Governo do Bahia com políticas afirmativas e de
valorização da ancestralidade. “Este Centro resulta do compromisso do Governo
do Estado com políticas públicas que valorizam a memória dos nossos ancestrais
e só está sendo possível porque temos representatividade”, afirmou, lembrando
que a criação do espaço foi um compromisso assumido pelo governador Jerônimo
Rodrigues.
Foto: Fernando Barbosa/Ascom IPAC
Memória e
pesquisa
Desenvolvido
com contribuição técnica do Centro de Memória da Bahia, vinculado à FPC, o
Centro de Documentação e Memória do Recôncavo reúne cartas, fotografias,
livros, atas, jornais e arquivos digitais relacionados às práticas sociais,
culturais e históricas do território e do próprio museu. A proposta é
consolidar o equipamento como referência para pesquisa, formação e preservação
das narrativas do Recôncavo Baiano.
Durante o
processo de organização do acervo, foram encontrados panfletos datilografados e
ilustrados sobre a história do Museu do Recôncavo. As peças foram emolduradas e
incorporadas à exposição permanente do espaço.
Entre os
itens disponíveis no Centro de Memória está a obra O Tupi na Geografia
Nacional, publicada em 1955 por Theodoro Sampaio, engenheiro, geógrafo,
historiador e escritor nascido no Engenho Canabrava, no atual município de
Teodoro Sampaio, então distrito de Santo Amaro.
“Catalogamos
cada item para garantir a preservação e o acesso fácil ao acervo, que foca
principalmente na museologia, história, além de ciências sociais, livros de
arte e publicações como os Cadernos do IPAC sobre os patrimônios imateriais da
Bahia”, explicou a bibliotecária Suzana Ferreira, do Centro de Documentação da
Diretoria de Museus (Dimus) do IPAC, responsável pela organização do espaço.
Exposições
Como
parte da programação de abertura, foram inauguradas duas exposições alinhadas
aos eixos de memória, identidade e patrimônio. A mostra Fragmentos da Memória,
do Arquivo Público do Estado da Bahia, reúne 40 retratos produzidos com uso de
Inteligência Artificial a partir de documentos históricos, como cartas de
alforria, registros de compra e venda e títulos de residência de africanos
libertos.
Já a
exposição OUNJE ORISÁ – Comida de Orixá, do artista André Fernandes, instalada
na cozinha do museu, apresenta registros fotográficos sobre os sentidos
simbólicos, rituais e culturais da alimentação nas religiões de matriz
africana.
Reconvexo
do Recôncavo
A
programação foi iniciada com a apresentação dos resultados do projeto educativo
Reconvexo do Recôncavo – tecendo redes para expansão de novos olhares sobre a
história, desenvolvido pelo Instituto IDES e contemplado pelos editais da
Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com recursos do
Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), executados pelo
Governo da Bahia, via Secult-BA.
A
iniciativa reuniu experiências de mediação cultural e práticas formativas com
públicos do museu e comunidades de 12 municípios do Recôncavo, fortalecendo os
vínculos entre patrimônio, educação e território. Como resultado, foram
produzidos documentários sobre manifestações culturais dos municípios
participantes, que passarão a integrar a programação audiovisual do Museu do
Recôncavo.
A
inauguração do Centro de Documentação e Memória do Recôncavo integra o conjunto
de ações de reativação e fortalecimento do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho,
consolidando o equipamento como espaço de valorização da diversidade cultural,
das memórias coletivas e das experiências sociais do Recôncavo Baiano.
Fonte:
Ascom/IPAC


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