Patrimônio Rupestre da Bahia: Gruta dos Brejões — onde geologia, arqueologia e biodiversidade contam a história do semiárido baiano
Foto: Divulgação/APA Gruta dos
Brejões/Vereda do Romão Gramacho
Na quarta e última reportagem da série especial “Patrimônio Rupestre da Bahia”, o destaque é um dos territórios mais singulares do semiárido baiano. Após percorrer diferentes regiões do estado e apresentar como as pinturas rupestres estão integradas à gestão ambiental em unidades de conservação, a série chega agora à Área de Proteção Ambiental (APA) Gruta dos Brejões/Vereda do Romão Gramacho, onde patrimônio natural, arqueológico e geológico se encontram em uma mesma paisagem.
Entre os municípios de João Dourado, Morro do Chapéu e São Gabriel, a
Área de Proteção Ambiental Gruta dos Brejões/Vereda do Romão Gramacho reúne um
dos conjuntos mais expressivos de patrimônio natural e cultural do semiárido.
Criada em 1985, a unidade abrange 11,9 mil hectares de formações
calcárias moldadas pela ação milenar das águas do Rio Jacaré. Seu principal
símbolo é a Gruta dos Brejões, com 7.750 metros de extensão e um pórtico de 106
metros de altura, figurando entre os maiores do Brasil.
Além da relevância espeleológica, a APA concentra dezenas de sítios
arqueológicos com pinturas rupestres, registros de material lítico e sítios
paleontológicos que guardam fósseis da megafauna pleistocênica, ampliando sua
importância científica e histórica.
No campo ambiental, a unidade protege vegetação típica da Caatinga, com
espécies como aroeira, baraúna e angico, além de fauna associada aos ambientes
cavernícolas e aos paredões calcários.
Para a gestora da unidade, Bárbara Valois, trata-se de um território
onde diferentes camadas da história natural e humana se encontram.
“A Gruta dos Brejões e os sítios arqueológicos da APA revelam uma história que começa milhões de anos atrás, com a formação geológica da região, e se estende pela presença humana ancestral. Proteger esse patrimônio é garantir que ciência, memória e biodiversidade caminhem juntas”, destaca.
Ao integrar conservação ambiental e proteção cultural, a Bahia reafirma
seu compromisso com uma política pública que reconhece o patrimônio rupestre
como instrumento de educação ambiental, pesquisa científica, fortalecimento da
identidade e desenvolvimento sustentável.
Leia também as reportagens anteriores da série:
- Parte
1 (clique aqui), que apresenta como a
política ambiental da Bahia integra patrimônio arqueológico e conservação
da biodiversidade;
- Parte
2 (clique aqui), sobre os sítios rupestres do
Parque Estadual da Serra dos Montes Altos;
- Parte
3 (clique aqui), que mostra como o mapeamento
de pinturas rupestres passou a integrar condicionantes de licenciamento
ambiental no Parque Estadual do Morro do Chapéu.
Fonte
Texto:
Matheus Santana/ASCOM
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