Governo da Bahia recebe certificação internacional ‘Memória do Mundo’ da UNESCO e oficializa sede própria do Arquivo Público
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Feijão Almeida
O acervo do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), em Salvador, foi reconhecido como memória do mundo pela UNESCO. A celebração pelo reconhecimento, nesta quinta-feira (5), contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues e autoridades. O evento foi marcado também por anúncios, entre eles o de que a sede do arquivo está com a situação regularizada na Justiça e não corre risco de ir a leilão.
O APEB é
uma unidade da Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria de Cultura
da Bahia (SecultBA). O título da UNESCO é um marco histórico e inédito para o
Estado da Bahia. É o reconhecimento regional América Latina e Caribe concedido
ao acervo documental preservado e salvaguardado na Bahia pelo APEB, intitulado
“Passaportes de Pessoas Escravizadas, Libertas, Pessoas Livres e Africanos
Repatriados (1821-1889)”, no âmbito do Programa Memória do Mundo.
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Feijão Almeida
“Preservar
a memória é um compromisso com o passado, mas também com o futuro. Garantir que
esse prédio seja definitivamente do Estado, sem risco de leilão, é proteger um
patrimônio que pertence ao povo baiano. E o reconhecimento da Unesco mostra que
o que está guardado aqui tem importância para o mundo”, afirmou o governador
Jerônimo Rodrigues.
O
certificado é o primeiro título internacional conquistado pelo APEB. O conjunto
documental da instituição representou o Brasil na candidatura ao Registro
Internacional do Programa Memória do Mundo da UNESCO. A indicação para a etapa
internacional é independente de reconhecimentos anteriores, mas o acervo já
havia sido inscrito no Registro Regional da América Latina e do Caribe (MoWLAC),
por decisão do Comitê Regional do programa em sua 25ª reunião anual.
“O acervo
do Arquivo Público da Bahia guarda registros que ajudam a reconstituir vidas,
deslocamentos, controles administrativos e condições sociais. São fontes que
alimentam a pesquisa, qualificam a educação e sustentam a memória pública com
base documental. A preservação documental é importante e decisiva porque a
maior parte da memória dos povos está exatamente em documentos de arquivos e de
bibliotecas”, comentou o coordenador nacional do Programa de Memória do Mundo
UNESCO, Adauto Cândido Soares.
IMÓVEL - O APEB está sediado no
Solar da Quinta, imóvel tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN) desde 1949. Nos últimos anos, o imóvel esteve
vinculado a uma ação judicial, mas o Governo do Estado atuou para homologar um
acordo que garante segurança jurídica plena e assegura a permanência do APEB em
sua sede histórica. Com isso, o imóvel não irá mais a leilão e se torna
definitivamente patrimônio público.
“O que
nós fazemos neste ato é reafirmar o compromisso do Governo da Bahia com a
preservação e valorização da memória pública do Estado, fortalecimento das
políticas arquivísticas e ampliação do acesso ao acervo e serviços que esse
Arquivo Público presta. Esse equipamento é uma fonte diária de pesquisa. Daqui
saem livros, roteiros, exposições, que veem a dar mais amplitude às narrativas
históricas. Esse arquivo é um verdadeiro laboratório da história e cidadania do
Estado da Bahia”, destacou o Secretário Estadual de Cultura da Bahia, Bruno
Monteiro.
Feijão
Almeida - GOVBA
O
reconhecimento da UNESCO e a segurança jurídica da sede do APEB foram também
celebrados pelo diretor do APEB, Jorge X, que reforçou a importância da atuação
da instituição. “O nosso trabalho é ressignificar a posição do Arquivo Público,
do nosso legado, para proteger a verdade do nosso povo. É a primeira vez que o
APEB, em 136 anos, alça a documentação da população negra enquanto memória do
mundo. Isso significa dizer, que, antes desse prêmio, se tirasse uma foto da
memória global, a história da escravidão não estaria retratada na memória do
mundo. Eu sou o primeiro diretor negro do APEB e venho aqui, como morador do
Nordeste de Amaralina, muito orgulhoso desse título”, completou.
ENTREGAS
- No
ano em que são celebrados os 136 anos do APEB, uma série de melhorias no local
foram observadas no evento desta quinta. Uma delas é a Sala Luiz Gama, voltada
a pesquisadores. O espaço tem computadores, novo mobiliário, climatização e
iluminação. O APEB recebeu também o Laboratório de Digitalização, por meio do
convênio federal com o Ministério da Cultura (MinC), que atua com câmeras
fotográficas profissionais, computadores de alto desempenho, notebooks,
scanners planetários A3 e climatização.
“Este espaço não é apenas um prédio, é um guardião da nossa identidade e história. Sob a diretriz da nossa política de memória e com a sensibilidade do Governador Jerônimo Rodrigues e do Secretário Bruno, conquistamos a segurança jurídica desse prédio e, mais do que o espaço físico, estamos reafirmando que preservar este acervo é um ato de soberania, comentou o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Sandro Magalhães.
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Erickson
Araújo - SecultBA
OBRAS - A valorização do APEB passa
ainda por obras, como o restauro da fonte esculpida em pedra, localizada no
pátio principal. O bem integra o conjunto arquitetônico do Solar da Quinta,
edificação tombada e com inestimável valor histórico, artístico e simbólico
para a memória baiana. É um exemplar significativo da arte em cantaria de
pedra, representativo do período barroco (século XVIII), cuja preservação é
essencial para a manutenção da autenticidade e integridade do conjunto
arquitetônico que abriga o acervo documental do Estado.
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Erickson Araújo - SecultBA
O evento
no APEB marcou ainda uma série de autorizações do Governo do Estado para
abertura de licitações focadas em restauro. Um dos destaques é o restauro que
será feito no Largo Pedro Archanjo, no Pelourinho. Foram também autorizados
serviços que fortalecem as políticas públicas de preservação ligadas ao
Instituto do Patrimônio Artístico e Cultura da Bahia (IPAC), por meio de
iniciativa federal do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Erickson Araújo - SecultBA
Foram
autorizadas aberturas de licitações para contratações de empresas que formulem
projetos de restauro para a Faculdade de Medicina da Bahia, o Convento de Santa
Clara do Desterro, o terreiro Ilê Maroiá Láji (Terreiro do Alaketo) e o Centro
Cultural da Casa do Samba de Santo Amaro.
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