Duas guardiãs da Mata Atlântica completam 29 anos e projetam nova etapa da conservação na Bahia
Acervo Inema
No dia 21
de fevereiro de 1997, a Bahia deu um passo decisivo para a proteção da Mata
Atlântica ao criar, na mesma data, o Parque Estadual da Serra do Conduru (PESC)
e a Estação Ecológica de Wenceslau Guimarães. Passados 29 anos, as duas
unidades de conservação reafirmam sua relevância ambiental e entram em uma nova
fase, marcada pelo fortalecimento do planejamento, do monitoramento da
biodiversidade e da integração territorial.
Embora
possuam categorias distintas, as unidades cumprem funções complementares. O
Parque Estadual concilia conservação com uso público ordenado, educação
ambiental e ecoturismo, enquanto a Estação Ecológica tem foco na proteção
integral dos ecossistemas e na produção de conhecimento científico. Juntas, são
pilares da atuação do Governo do Estado, por meio do Instituto do Meio Ambiente
e Recursos Hídricos (Inema), na proteção dos remanescentes da Mata Atlântica
baiana.
Localizado
nos municípios de Ilhéus, Itacaré e Uruçuca, o PESC protege 9.275 hectares de
Floresta Ombrófila Densa, um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta.
Mesmo sendo a Mata Atlântica o bioma mais devastado do país, os fragmentos
preservados no sul da Bahia apresentam índices extraordinários de
biodiversidade, reconhecidos internacionalmente.
Para o
gestor do Parque, Marcelo Barreto, esse destaque impõe responsabilidades.
Segundo ele, “estar no topo dos rankings de biodiversidade coloca o Parque
diante do desafio permanente de manter esse patrimônio para as gerações
presentes e futuras, reconhecendo-o como um verdadeiro santuário para as demais
formas de vida”.
Além da
biodiversidade, o Parque desempenha papel estratégico na segurança hídrica ao
proteger nascentes de cerca de 30 rios e riachos que abastecem municípios do
entorno, reforçando a relação direta entre conservação ambiental e qualidade de
vida.
Esse
papel é aprofundado com a implementação do Plano de Uso Público (PUP) e a
adesão ao Programa Monitora Bahia, alinhado à Instrução Normativa nº 2/2022 do
ICMBio. De acordo com Marcelo Barreto, o PUP estabelece diretrizes e
prioridades para organizar a visitação e ampliar o diálogo com os diferentes
públicos, enquanto o monitoramento da biodiversidade permitirá a produção de
dados confiáveis e contínuos, capazes de subsidiar decisões técnicas e
políticas públicas ambientais dentro e fora das unidades de conservação.
Entre as
ações em andamento, também está a requalificação da infraestrutura da sede do
Parque, por meio de edital vinculado ao Termo de Compromisso Socioambiental
(TCSA), além da proposta de integração de trilhas entre o PESC e o Parque
Estadual Ponta da Tulha (PEPT), no contexto da Rede Brasileira de Trilhas.
Na
avaliação do gestor, essa integração fortalece o conceito de corredores
ecológicos e amplia as possibilidades de um turismo de natureza qualificado,
com geração de renda e maior envolvimento das comunidades locais. “Um
território bem sinalizado e respaldado por políticas públicas orientadoras
aumenta as chances de um desenvolvimento responsável e de soluções conjuntas
para desafios comuns”, observa.
Proteção integral, ciência e água: o papel estratégico da Estação Ecológica
Complementando
essa atuação, a Estação Ecológica de Wenceslau Guimarães cumpre papel
fundamental na proteção integral da Mata Atlântica no Recôncavo Sul. Localizada
na bacia do Rio das Almas, a unidade foi criada para proteger a biodiversidade
local e os mananciais que garantem o abastecimento hídrico da região.
A Estação
abriga espécies vegetais endêmicas, como peroba, bromélias e orquídeas, além de
uma fauna diversa que inclui primatas, aves ameaçadas de extinção e espécies
raras, como o urubu-rei e a pomba-verdadeira. Também funciona como corredor
ecológico para espécies migratórias, conectando paisagens e ampliando a
resiliência dos ecossistemas.
Definida
como “território da ciência”, a unidade tem na pesquisa científica um de seus
principais pilares. Ainda que a realização de estudos seja impactada por
desafios logísticos, os levantamentos realizados contribuem para compreender a
dinâmica das espécies e apoiar decisões de gestão e conservação. Integrante da
zona núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, a Estação assume a
responsabilidade de manter a integridade de um dos remanescentes mais sensíveis
do bioma.
Para a
gestora Flávia Nunes, um dos principais desafios é ampliar a compreensão da
sociedade sobre o papel das estações ecológicas. “A população muitas vezes não
percebe a relação entre a existência da unidade e a manutenção da água, o
controle da temperatura e o equilíbrio ecológico proporcionado pelos animais”,
explica. Segundo ela, a conservação costuma ser lembrada apenas em momentos de
escassez hídrica. “Geralmente, as unidades são vistas apenas como fonte de
madeira e caça, e só passam a ser valorizadas quando a região começa a sofrer
com a falta de água”, observa.
Além da
sensibilização ambiental, a Estação enfrenta desafios como caça, roubo de
madeira, invasões e entraves fundiários. "O Inema tem buscado parcerias
com os órgãos competentes e com a polícia local, além da parceria com a
comunidade com o objetivo de inibir tais práticas", afirma a gestora da
ESEC de Wenceslau Guimarães.
As duas
categorias, embora distintas, asseguram florestas em pé, água protegida, biodiversidade
conservada e conhecimento científico.
Fonte
Valquiria
Siqueira - Ascom Sema/Inema








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