8 de mar. de 2022

MANIFESTO À CATEGORIA MÉDICA – POR UM SINDICATO DE TODOS

Às vésperas de novas eleições no SINDIMED, a categoria médica é chamada a uma reflexão sobre o papel de nosso sindicato e a avaliar a atuação nefasta da atual gestão.


Somos um segmento profissional abrangente, complexo e heterogêneo, distribuídos em 55 especialidades, subespecialidades e áreas de atuação. Enfim, um grande contingente de médicas e médicos das mais diferentes origens, raças, credos, visões de mundo e opções politicas, em tudo semelhante às diversidades de nosso país.

Porém, apesar dessa diversidade, há grandes problemas comuns, dentre estes, a progressiva exploração do trabalho médico, em vínculos precários, “pejotizados” ou “uberizados” e, quase sempre, mal remunerados, quer em instituições públicas e privadas, sem garantia dos direitos trabalhistas e com jornadas extenuantes de trabalho, muitas vezes associadas a condições inadequadas ao bom exercício da profissão. Assistimos cada vez mais as privatizações, terceirizações, organizações sociais, parcerias público-privadas e a entrada de grandes oligopólios na gestão de hospitais privados tradicionais.

Muitos outros temas são relevantes para a categoria, em especial a violência do ambiente de trabalho, a carreira de estado no SUS, a revisão e implantação do PCCV na SESAB, a aposentadoria por insalubridade, a licença maternidade de 180 dias, a valorização das cooperativas de especialidades a luta por remuneração justa pelo planos de saúde e muitos outros. Enfim, uma multiplicidade de temas, que tem como denominador comum a ausência de ações efetivas da atual gestão em obter avanços para a categoria a quem caberia representar. Neste sentido, chama a atenção até hoje, que, em dissídios coletivos, à revelia de qualquer consulta à base sindical, negociaram menor valor do adicional noturno no setor privado, caso impar de sindicalistas que atuam contrários ao interesse dos seus associados.

As lutas da categoria médica são a principal razão de existir de nosso sindicato, ou seja, o de organizar a categoria médica na defesa dos seus interesses, de suas necessidades, que, no fundamental, coincidem com os da população: resistir à exploração pelos planos de saúde e desfrutar de uma saúde pública digna, com um SUS fortalecido, que ofereça assistência universal e de qualidade ao povo, além de condições adequadas de trabalho e remuneração.

O SINDIMED é um patrimônio da categoria médica e da sociedade baiana. Ao longo dos seus quase 90 anos de existência (1934-2022), não só realizou mobilizações em busca da conquista dos direitos, mas promoveu eventos culturais e esportivos, sempre buscando cultivar a alegria e o convívio fraterno entre a categoria.

Essa atuação salutar foi varrida pela atual diretoria do Sindicato, que resolveu trilhar o caminho do negacionismo, do obscurantismo e da intolerância que caracterizam o momento atual em nosso pais. O slogan da campanha do grupo que ocupa a diretoria atualmente, “sindicato sem partido” não se efetivou, pois até mesmo a convenção de partido de extrema-direita foi realizada na sede do sindicato, além de atividades politico-partidárias com o tema “A necessidade da inserção da classe médica na política”, realizada no auditório do SINDIMED, em julho de 2021. Até tentativa de envolver o SINDIMED em manifestações de ataque à democracia ocorreram – no último 7 de Setembro – tendo sido derrotada em assembleia virtual.

No que diz respeito à atuação do sindicato, nesses últimos quatro anos, não houve movimentos de defesa da Saúde Pública e do SUS, de melhoria das condições laborais, de remuneração adequada e contra a precarização de vínculos e terceirizações. Em verdade, o que se verificou foi um processo de desmonte da estrutura de representação da categoria médica, encolhendo-o na sua capacidade de ação, com fechamento das delegacias sindicais no interior da Bahia, demissão de funcionários e precarização da “Gráfica do Médico”, que agora ocupa um canto na garagem da sede administrativa, além de se cogitar a venda da sede própria do SINDIMED. É preciso resgatar a luta médica em defesa dos direitos das médicas e médicos baianos. É preciso resgatar, ainda, para o SINDIMED o papel de promover a convivência fraterna, civilizada, respeitosa, que sempre caracterizou a vida do sindicato.

É com este entendimento, ânimo e compromisso que as médicas e médicos signatários desse documento convidam a categoria a se engajar no movimento pelo Resgate da Luta e da Democracia no SINDIMED.


Salvador, de 15 fevereiro de 2022.

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