PORTAL VERMELHO: Democratas impõem surra histórica ao trumpismo e retomam o Congresso dos EUA
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Vitória nas duas Casas rompe décadas de domínio republicano em redutos como Texas e Kansas e dá à oposição poder para investigar Trump e barrar sua agenda no Congresso em 2027
por Lucas Toth
A maioria republicana no Congresso dos Estados Unidos foi varrida pela oposição democrata nesta terça-feira (3), numa derrota que expõe a rejeição dos eleitores ao presidente Donald Trump e à agenda da extrema direita.
Cadeiras legislativas ocupadas pelos republicanos há décadas passaram para os democratas. A virada redesenha as forças em Washington e impõe um revés ao trumpismo, com efeitos que vão além da política interna dos Estados Unidos.
Na manhã desta quarta-feira (4), com a apuração ainda em andamento, os democratas já haviam conquistado 228 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, contra 139 dos republicanos.
No Senado, garantiram ao menos 54 dos 100 assentos, ante 44 dos republicanos. Duas disputas ainda não tinham resultado definido.
Projeções indicam que os democratas podem chegar a 255 cadeiras na Câmara, 40 a mais do que em 2024. No Senado, a estimativa é de que conquistem 55 assentos — oito a mais do que antes da eleição.
Os democratas também avançaram nas disputas para governos estaduais: comandavam 23 estados após as eleições de 2024 e devem chegar a pelo menos 26.
Entre os candidatos vitoriosos estão Keisha Lance Bottoms, que será a primeira mulher negra a governar um estado norte-americano, e Gina Hinojosa, primeira mulher latina eleita para governar o Texas.
O resultado abre uma nova etapa de disputa em Washington. Quando a nova legislatura tomar posse, em janeiro, os democratas poderão investigar o governo Trump, sua família e aliados, além de exigir concessões para aprovar projetos.
No Senado, também poderão barrar nomes indicados pelo presidente para cargos que dependem de aprovação da Casa, inclusive eventuais vagas na Suprema Corte.
A derrota atingiu em cheio redutos históricos dos republicanos. No Texas, os democratas encerraram um jejum de 38 anos e conquistaram uma cadeira no Senado. Também elegeram Gina Hinojosa para o governo estadual, após 32 anos sem um governador democrata no estado.
O Kansas também escolheu um senador democrata pela primeira vez em quase um século. Na Carolina do Sul, onde Trump venceu por ampla margem em 2024, a candidata democrata derrotou a escolhida pelo presidente para a disputa.
A campanha foi marcada pelo custo de vida, pela guerra contra o Irã e pelas tarifas impostas por Trump.
Os democratas responsabilizaram o presidente pela alta dos preços e denunciaram a corrupção de seu governo. Segundo pesquisa de boca de urna, metade dos eleitores viu a eleição como uma oportunidade de repreender Trump; três em cada quatro disseram estar insatisfeitos ou com raiva do rumo do país.
Trump tentou transformar as eleições em um plebiscito sobre seu governo. Nos comícios, pediu que os apoiadores imaginassem que seu nome estava nas cédulas. Com a derrota republicana se consolidando, escreveu nas redes sociais que, se tivesse concorrido, seu partido teria vencido “de lavada”.
Depois, reconheceu o resultado e disse que trabalhará com os democratas, mas ameaçou vetar projetos que considerar “insanos”.
O avanço democrata também enfraquece a extrema direita em um momento em que Trump tenta projetar seu poder para fora dos Estados Unidos e interferir na política de outros países, inclusive no Brasil.

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