Dia 21, José Humberto Nunes faria 101 anos





Por Ari Donato


No próximo dia 21 deste mês de abril, o ex-prefeito de Guanambi, José Humberto Moreira Andrade Nunes, completaria 101 anos de nascido, se vivo fosse. Filho único do casal José Francisco Nunes e Idalice Moreira Andrade Nunes, ele nasceu em Salvador, no dia 21 de abril de 1925; faleceu na madrugada do dia 17 de abril de 2001, na mesma cidade, e foi sepultado no Cemitério Campo Santo, cercado de parentes, amigos e dezenas de guanambienses.

Quatro dias antes de completar 74 anos de idade, o então médico aposentado e ex-prefeito José Humberto – ou Zomberto, no falar apocopado do homem do campo – faleceu na UTI do Hospital Português, em Salvador. Foi a perda de um dos mais expressivos profissionais e homens públicos que Guanambi já teve em toda a sua história, desde que o município fora criado, em 1919.

Médico humanista 

José Humberto chegou a Guanambi no início dos anos 1950, recém-formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, com os pais Sr. Nunes e Dona Idalice. O seu pai, um empreendedor português, foi proprietário da primeira banca de revistas na cidade, mas a formação humanista que deu ao filho foi o maior legado que transferiu para a cidade. 

Atendendo a pessoas carentes das zonas urbanas e rurais de cerca de 10 municípios da região, o recém-formado médico destacou-se por combater, não apenas a doença, mas, na medida do possível, suas causas. 

Costumava responder a quem lhe pedia que aviasse “um fortificante ou uma vitamina”, que tudo de que precisava “estava na quitanda da esquina: banana, manga, laranja, tomate, ovos, abóbora”. Aos mais necessitados, ele dava os medicamentos vitais. 

                                         Sr. Nunes e Dona Idalice. 

Prefeito três vezes  

Amado pelo povo, foi eleito prefeito em três ocasiões. Sua primeira eleição (1955–1959) foi quinta ocorrida até então pelo voto direto; até então o município tivera a maioria de seus prefeitos nomeados. As outras foram nos períodos de 1963 a 1967 e 1971 a 1973. 

Administrando um município recém-emancipado e de poucos recursos, distante do centro do poder estadual e padecendo de uma comunicação eficiente, José Humberto preferiu investir no social, voltar para um combate mais eficaz às endemias. Suas três administrações foram marcantes. 

Em 1967, ao encerrar o segundo mandato, apoiou seu secretário municipal de Administração, Jonas Rodrigues da Silva, que foi eleito prefeito (1967 a 1971), mas na eleição seguinte voltou a se candidatar e foi eleito para o terceiro mandato, que encerrou em 1973, deixando, como sucessor, novamente, seu secretário Jonas Rodrigues da Silva.

Em Guanambi, onde viveu por quase 30 anos, José Humberto trabalhou como médico pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), depois Superintendência do Vale do São Francisco (Suvale) e, atualmente, Companhia do Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), e pela Secretaria de Saúde do Estado. No final de 1976, transferiu-se para Salvador e trabalhou no Serviço Médico da Universidade Federal da Bahia por muitos anos, tendo sido seu diretor durante quase uma década.

Humilde e dedicado

Quando do seu sepultamento, sua esposa, Dona Maria de Lourdes Nunes, realçou as qualidades do marido: “Médico competente, humilde e dedicado, político honesto, leal e digno, extraordinária figura humana, que deixou aos seus um legado de honra, bondade, força e amor.”

Seu filho Sílvio Nunes, 62 anos, conta que, ainda criança, na residência da família, em Guanambi, ele era acordado frequentemente com pessoas batendo à janela do quarto, que dava para uma praça (José Ferreira), chamando seu pai para prestar um ou outro atendimento médico. “Eu acordava, levantava-me e ia até o quarto do meu pai, para chamá-lo, e isso era frequente!” – recorda o mais novo dos cinco irmãos: José Francisco (Guiguiu ), José Humberto ( Bebeto), Idalice e Maria Elvira.

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