Bahia ganha projeção como destino do turismo sustentável
Espécies
endêmicas, como a arara-azul-de-lear, vista nos Caminhos do Sertão, ou
ameaçadas de extinção, como a harpia, encontrada na Costa do Cacau, são
atrações do turismo de observação de aves em destinos baianos. O segmento
registra visitantes nacionais e estrangeiros que buscam lazer sustentável. A
sustentabilidade é um dos pilares da Estratégia Turística Bahia 4.0, que prevê
ações da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA) em estruturação de
roteiros, promoção, qualificação de serviços e parcerias com entidades
ambientalistas.
“O Governo do Estado tem o compromisso de garantir
práticas sustentáveis no turismo. Um marco foi a criação na Bahia do primeiro
roteiro integrado de observação de aves do país, atividade que vem crescendo
mundialmente. Para atender bem o turista e disseminar a consciência ambiental,
oferecemos a profissionais e empreendedores cursos de capacitação, nas zonas
turísticas com vocação para o segmento”, explica o titular da Setur-BA,
Maurício Bacelar.
“Já recebemos pessoas de mais de 40 países para ver a
arara-azul-de-lear, que figura entre as cinco espécies mais procuradas por
observadores de aves e fotógrafos. Com o apoio das políticas públicas, o
movimento nesse segmento turístico praticamente dobrou, nos últimos anos”, destaca
o ambientalista Aliomar Almeida, do Projeto Jardins da Arara de Lear, em
Canudos, nos Caminhos do Sertão.
Na Bahia, também está um dos últimos refúgios
reprodutivos da harpia, conhecida como gavião-real, a maior ave de rapina das
Américas, encontrada na Costa do Cacau e Costa do Descobrimento. “Monitoramos
ninhos nas áreas preservadas, sendo que muitas delas são parques que trabalham
com o turismo. Na Serra Bonita, em Camacã, na região cacaueira, por exemplo, há
toda uma atividade de observação de aves estruturada e a harpia é uma das mais
apreciadas por pessoas que vêm do mundo inteiro”, relata o coordenador do
Projeto Harpia Mata Atlântica, Aureo Banhos.
Outro animal ameaçado de extinção é a tartaruga-de-pente,
uma das atrações da Costa dos Coqueiros, onde o projeto Tamar atua na
preservação dessa espécie de tartaruga marinha. “Temos unidades de conservação
em Lauro de Freitas, Camaçari e Mata de São João. O turismo responsável pede
uma relação do visitante com as tartarugas, apenas de observação, sem qualquer
contato, molestamento ou perturbação”, ressalta a analista ambiental do Tamar,
Sandra Tavares.
O pesquisador Osmar Borges, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), identifica o turismo sustentável como umas das ferramentas para a preservação do meio ambiente. “A Bahia é rica por abrigar três biomas: Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Vejo no turismo sustentável um público exigente, colaborativo. O turista desse segmento gera renda nas comunidades e costuma ajudar programas de conservação ambiental, fazendo doações”.
FONTE: SETUR-BA

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