247 BRASIL: Aliada de primeira hora da ditadura militar, Globo fez campanha implacável contra Brizola em sua história
Exilado por 15 anos no Uruguai durante o período da ditadura, Brizola voltou ao Brasil em 1979 (Foto: Divulgação/PDT)
Aliada de primeira hora da ditadura militar, Globo fez campanha implacável contra Brizola em sua história
247 – A trajetória política de Leonel Brizola foi marcada por uma resistência feroz ao poder econômico e midiático no Brasil, especialmente ao grupo Globo. A emissora, aliada de primeira hora da ditadura militar instaurada em 1964, travou uma guerra aberta contra Brizola, tentando minar sua influência política e impedir que ele chegasse ao governo do Rio de Janeiro. No entanto, mesmo com uma das campanhas mais agressivas já vistas na imprensa brasileira, a Globo não conseguiu impedir sua eleição e ainda foi obrigada, pela Justiça, a conceder um direito de resposta inédito na televisão.
Desde os anos 1960, Brizola representava um dos maiores desafios para os interesses da elite econômica e dos Estados Unidos no Brasil. Sua defesa da soberania nacional e das reformas de base, aliada à sua posição contrária à entrega do patrimônio público, fizeram dele um alvo prioritário da ditadura e de seus apoiadores na mídia, como revelam os documentos secretos sobre o assassinato de John F. Kennedy.
Durante os anos de chumbo, a Globo consolidou-se como a principal aliada do regime, utilizando seus telejornais e editoriais para deslegitimar qualquer figura que representasse um risco à continuidade do modelo imposto pelos militares.
A campanha contra Brizola e a derrota da Globo
Com a redemocratização, Brizola retornou do exílio e enfrentou um cenário político hostil, no qual a Globo manteve sua linha editorial agressiva contra ele. O ápice dessa perseguição ocorreu na eleição para o governo do Rio de Janeiro em 1982, quando a emissora utilizou reportagens e editoriais para atacá-lo sistematicamente. Mesmo assim, Brizola venceu a disputa e tornou-se governador, impondo uma derrota histórica ao império midiático de Roberto Marinho.
A resistência da Globo ao brizolismo, no entanto, não parou por aí. Já no governo, ele teve que lidar com constantes campanhas de difamação. O confronto atingiu seu ponto mais alto quando a emissora tentou manipular informações sobre o governo Brizola para prejudicá-lo politicamente. A situação chegou ao limite quando a Globo foi obrigada pela Justiça, em 1994, a conceder um direito de resposta ao governador, um episódio que se tornou um marco na luta contra a manipulação midiática no Brasil.
No histórico direito de resposta, exibido em horário nobre, Brizola desmascarou a postura tendenciosa da emissora e denunciou sua perseguição sistemática. Em sua fala, ele destacou a parcialidade da Globo e sua relação com os interesses econômicos que sempre combateram qualquer projeto nacionalista e popular. Foi um dos momentos mais emblemáticos da televisão brasileira, no qual um político teve a chance de rebater, ao vivo, os ataques de uma das maiores redes de comunicação do país. Reveja:
Um líder acima da manipulação
Mesmo com a campanha implacável da Globo, Brizola consolidou-se como uma das figuras mais influentes da política nacional. Seu legado inclui a luta pela educação pública, a criação dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), sua resistência à privatização de empresas estratégicas e sua defesa intransigente da soberania brasileira.
Até o fim de sua vida, Brizola jamais cedeu à pressão da mídia ou dos interesses estrangeiros. Sua trajetória prova que, apesar do monopólio da informação, a força de um líder popular pode superar qualquer campanha de difamação. Seu embate com a Globo ficou registrado na história como um exemplo de coragem e determinação em defesa do Brasil e de seu povo.

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