OS IMPACTOS DA FERROVIA DE INTEGRAÇÃO OESTE-LESTE
Ronald Lobato*
"Esse conceito ainda não foi totalmente absorvido"
O atual governo da Bahia resgatou o projeto do professor Vasco Neto, encarando as conexões leste-oeste como um novo conceito, que substitui a ênfase nas conexões radiais a partir do sudoeste - que dominaram os investimentos no século passado - e promove o desenvolvimento com equilíbrio em todo o País.
Antes, proposta ferroviária estava circunscrita ao Estado, não tendo abrangência continental. Faltou a visão de que a Bahia pode ser um dos principais portais nacionais de conexão com a economia global. Em quatro anos, o conceito virou projeto e agora foi viabilizado. Para o Brasil, são prazos impressionantes. E, conforme determina a lei, está sendo considerado tanto o meio ambiente quanto a participação da sociedade.
É preciso, entretanto, cuidado. Este conceito que muda a participação da Bahia na economia nacional e sugere uma nova política de desenvolvimento territorial ainda não foi totalmente absorvido. Ainda é necessária uma grande vigilância dos baianos e de seus representantes na defesa intransigente deste aspecto de uma nova política de desenvolvimento regional.
No Senado, manteve-se, no projeto do governo federal, a ligação leste-oeste na altura de Ilhéus; mas introduziu-se mais uma ligação do tipo radial partindo do norte do Rio de Janeiro. Pior foi na Câmara de Deputados, onde a ligação com a Bahia havia desaparecido.
A alternativa adotada no atual projeto de traçado interrompe a ferrovia que sai da Bahia quando ela alcança a Ferrovia Norte-Sul em Tocantins, não chegando mais à fronteira com o Peru.
A estratégia de interesse da Bahia e do Brasil é reintroduzir no planejamento federal o que está no Plano Viário Nacional: uma ligação oeste-leste transcontinental, alterando o planejamento logístico e favorecendo maior equilíbrio espacial no desenvolvimento nacional.
* RONALD LOBATO é diretor da ACB, membro do Conselho de Economia da Fieb
e ex-secretário de Planejamento de governo da Bahia.
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