13 de jun. de 2022

Por Gilvane Caldas: QUAL É O LIMITE MESMO?




Por Gilvane Caldas

A banalização por parte de setores do governo e do povo brasileiro no trato e na valorização da nossa jovem democracia é algo que deve  colocar os verdadeiros democratas  sob alerta.  Ainda mais quando essas ameaças partem de quem deveria protegê-la com afinco e responsabilidade. 

Não é de hoje que o chefe da nação, o Presidente da República, vem flertando e  elogiando torturadores como seus admirados. Nos últimos anos, aproximando o período eleitoral, o presidente e seus seguidores intensificaram os  ataques  ao processo eleitoral, especificamente sobre as urnas eletrônicas. Os argumentos usados são os mais estapafúrdios e absurdos, alegando que houve fraude nas eleições passadas sem apresentar nenhum indício de que isso teria ocorrido.

Recentemente o Ministério da Defesa solicitou do Tribunal Superior Eleitoral que apresentasse informações mais detalhadas sobre o sistema de segurança das urnas eletrônicas, pois o ministro da defesa alega que as Forças Armadas não se sentem contempladas com as informações prestadas pelos técnicos do TSE.

Ora, diante desse inusitado, o sinal de alerta precisa ser aceso em todos os brasileiros democratas. A sociedade civil organizada, ministério público, poderes executivo, legislativo, judiciário, imprensa, Universidades, trabalhadores públicos e privados,  todos, devem se manifestar fortemente contra as ameaças que colocam em xeque o resultado das urnas e consequentemente a democracia.

Não compete a um órgão de governo, sem outorga para  tal, exigir de outro Poder, transparência ou  levantar  suspeição de algo que não apresenta qualquer irregularidade ou suspeita. O questionamento feito pelo Ministro da Defesa é  uma afronta à democracia e precisa ser rechaçada, contestada e enfrentada corajosamente por todos, o argumento por ele usado não se trata  de zelar pela lisura das eleições de outubro próximo, ao contrário, trata-se de lançar dúvidas sobre a eficácia das urnas e assim,  orquestrar um golpe liderado pelo Presidente da República e seus aliados. 

O Presidente tem consciência de  que nunca houve fraude eleitoral no uso das urnas eletrônicas desde a sua implantação, mas acusa de forma irresponsável, leviana e mentirosa que soube de casos, mas não apresenta provas ou indícios. O acerto com a  justiça será uma questão de tempo, e o receio da prisão ao perder o fórum privilegiado o conduz juntamente com os seus aliados a criarem factóides que colocam em dúvida as eleições e assim, alimentam nos seus seguidores o desejo de um golpe velado de "democracia e liberdade".

Sendo assim, a alternativa plausível nas cabeças de quem sabe que será derrotado nas urnas, que comete crimes e  será julgado de acordo com a Lei, tem como alternativa desacreditar todo sistema eleitoral e de justiça do país, para livrar-se da cadeia. Dessa forma, usa-se de recursos antidemocráticos para abrir caminhos e assim implantar uma ditadura. 

É urgente que todas as forças democráticas e institucionais atentem para as ameaças em tom de ironias ou bravatas que são produzidas diariamente por órgãos do governo ou pelo próprio chefe do executivo. Não podemos aceitar nenhuma menção de natureza golpista, autoritária que desrespeita o texto constitucional, travestido de prática política ou jurídica, partindo de quem tem por obrigação cumprir a o que está escrito. É preciso dar um basta a esse projeto de ditadura antes que seja tarde demais!

Caetité-Ba.

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