2 de ago de 2017

247 BRASIL - "VIVEMOS UM MOMENTO DE DECLÍNIO NA POLÍTICA", DIZ ROBERTO AMARAL


Ex-ministro Roberto Amaral diz que os partidos de esquerda devem fazer "uma reflexão profunda sobre os erros recentes" de maneira a recuperar a credibilidade e poder ensaiar uma volta ao poder.; só assim, acredita, será possível recuperar a credibilidade com a população e ensaiar uma volta ao poder; Ilude-se quem pensa que o impeachment da Dilma era um projeto isolado. Era uma necessidade tirá-la do poder. Temer [Michel Temer] é uma contingência, necessária para manter o formalismo constitucional. O projeto em curso é ideologicamente mais profundo do que aquele que levou ao golpe de 1964", disse Amaral em entrevista à Carta Capital. 247 BRASIL 

247 - Em uma entrevista à Carta Capital, o ex-ministro Roberto Amaral diz que os partidos de esquerda devem fazer "uma reflexão profunda sobre os erros recentes" de maneira a recuperar a credibilidade e poder ensaiar uma volta ao poder. Só assim, acredita o ex-ministro Roberto Amaral, será possível recuperar a credibilidade com a população e ensaiar uma volta ao poder; Ilude-se quem pensa que o impeachment da Dilma era um projeto isolado. Era uma necessidade tirá-la do poder. Temer [Michel Temer] é uma contingência, necessária para manter o formalismo constitucional. O projeto em curso é ideologicamente mais profundo do que aquele que levou ao golpe de 1964", avalia.

Para ele, a dificuldade de mobilizar as massas contra a agenda reformista do governo Temer está no fato de que tanto a esquerda como a direita se perderam ao longo dos últimos tempos. "Os brasileiros, à direita e à esquerda, não tem nada a comemorar. Suas teses, seus projetos, desmancharam-se no ar. Quem derrubou Dilma Rousseff está às voltas com o fracasso do governo Temer e com os escândalos de corrupção.O campo progressistas, por seu lado, não consegue mobilizar as massas. Eis o problema", disse
"Vivemos um momento de declínio da política. O Congresso foi capturado pelo poder econômico, não mais preocupado em se reeleger, mas em realizar seus lucros neste mandato. O Poder Judiciário não se tornou apenas politizado, está partidarizado. E o Executivo não tem moral. O Rio de Janeiro é o retrato esquizofrênico, exacerbado, da situação nacional. A política é feita de esperança e ela tem sido aniquilada. Onde estão aqueles que batiam panelas e vestiam a camiseta da Seleção em São Paulo e no Rio de Janeiro?", questionou.
Amaral destaca que "depois da saga da eleição de Lula em 2002, não houve uma preocupação do campo progressista no Brasil em realizar as transformações, coisa que a direita faz neste momento. Ilude-se quem pensa que o impeachment da Dilma era um projeto isolado. Era uma necessidade tirá-la do poder. Temer é uma contingência, necessária para manter o formalismo constitucional. O projeto em curso é ideologicamente mais profundo do que aquele que levou ao golpe de 1964. Estão metodicamente a promover essas reformas, além traçar estratégias para impedir qualquer recuperação de um pensamento social no futuro. Os governos do PT não fizeram as reformas estruturais".
Ele também ressalta que uma eventual condenação sem provas  do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria a prova cabal de que houve um golpe no Brasil. "Seria a maior de todas as violências cometidas até aqui. As pesquisas confirmam a força popular do Lula. Quero crer que, se acontecer, o campo progressista finalmente se convenceria de que não se trata de uma brincadeira, mas de um golpe para valer", afirma.
Amaral também destaca que, em sua visão, não vale  apena insistir em um discurso de "conciliação". "As condições internacionais mudaram e a economia e a política internas igualmente se transformaram. Torço para que o PT, Lula e as esquerdas tenham refletido sobre os erros cometidos e abandonado a ilusão da composição de classes, de que poderiam fazer concessões. Os governos petistas confundiram a coalização necessária para governar com a conciliação de classes. As forças progressistas, na nossa história, sempre buscaram a composição com as elites e sempre foram traídas", assinala.
Veja a íntegra da entrevista.