Terno de Reis do Alto Sertão da Bahia (Guanambi, Caetité, Igaporã e Pindaí) é retratado em websérie

Alegorias de uma tradição religiosa e cultural com ares folclóricos dão espaço para um ritual envolto por uma simplicidade material, enaltecido por uma riqueza subjetiva e sonoridade peculiar. A identidade da Folia de Reis do Alto Sertão da Bahia é o enredo retratado na websérie Reiseiros, vida de sorte e saúde. Produzida pela Olho de Peixe Filmes, a série tem a proposta de valorizar a memória e a preservação da tradição da Folia de Reis do sertão do estado, através das vivências e visões de mundo dos seus foliões mais antigos e apaixonados. O lançamento da websérie será no dia 2 de junho nas redes sociais e no hotsite. O projeto enquadrado com o título Trilha de Reis tem patrocínio do Governo do Estado, através do Fazcultura, da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do estado da Bahia e irá contemplar também a produção de um filme e um livro.

Na websérie, o projeto Reiseiros abordará o Terno de Reis do Alto Sertão Baiano em episódios curtos, cuja linguagem subjetiva será apresentada pelos reiseiros que se destacaram pela relação apaixonada com a qual vivenciam o Terno de Reis nas diversas localidades visitadas pela equipe realizadora.

Foram registrados Ternos da zona rural de quatro municípios do Alto Sertão Baiano: Caetité, Guanambi, Igaporã e Pindaí, durante o período do Reisado que acontece tradicionalmente na primeira semana de janeiro. A série será exibida em 10 episódios com postagens semanais de novos episódios, sempre às sextas-feiras. Em cada edição, outros conteúdos relacionados ao tema serão disponibilizados ao público, como textos, fotos e vídeos adicionais.

Durante o processo de realização, a equipe do projeto se dividiu em três unidades de captação, uma unidade audiovisual que acompanhou diversos ternos em atividade, outra que esteve concentrada em acompanhar com exclusividade um terno durante as etapas de preparação, do “giro” e da ladainha – ritual festivo realizado após o período do reisado – e outra unidade para o registro fotográfico e documental, com a finalidade de reunir conteúdo para o livro. “A partir desse desenho de captação do conteúdo, o público que acompanhar o projeto terá a oportunidade de mergulhar de forma mais profunda nos Reisados do Alto Sertão da Bahia e, dessa maneira, ter a possibilidade de captar toda a subjetividade e encanto contidos nesse ritual”, explica Sabrina Alves, sócia da produtora Olho de Peixe e um dos idealizadores do projeto. O lançamento do livro e do filme está programado para setembro deste ano.

A paixão reiseira

A festa dos três Reis Magos do Oriente que, conforme o credo católico, visitaram o recém-nascido Jesus Cristo com presentes e honras é comumente representada pelos personagens bíblicos com figurinos coloridos, alegóricos, guiados com som harmônico. No alto sertão baiano, os sócios Cristiano Britto e Sabrina Alves foram apresentados a uma nova representação da Folia de Reis. “Em 2010, convidados pelo músico e parceiro Anderson Cunha, partimos para uma longa viagem do litoral ao interior e desembarcamos cheios de curiosidade diretamente na zona rural do município de Caetité. Encontramos o primeiro Terno de Reis tocando dentro de uma casa e a cena que foi revelada para nós era diferente de tudo que havíamos construído previamente através das referências mais recorrentes a respeito de uma Folia de Reis. Não havia figurinos, alegorias e instrumentos harmônicos”, comenta Cristiano Britto.

Uma música percussiva, orgânica, quase tribal guia a incursão nesta Festa que se repete em cada casa, mantendo uma simplicidade material, mas que revela uma grande subjetividade e diferentes formas de envolvimento dos personagens. “A breve vivência com eles nos arrebatou de uma forma muito intensa. Era precioso o que se apresentava naquele território tão distante, no meio do nada, no interior do interior. Naquele lugar esquecido, um ritual religioso traduzido de forma tão autêntica, única, particular se apresentou para nós como uma representação encantadora de conceitos tão universais como a existência, a fé, o amor e a empatia”, relata Sabrina Alves.

Esta experiência culminou na efetiva realização do projeto que cumpre o papel de apresentar e preservar a identidade dos Ternos de Reis da zona rural do Alto Sertão da Bahia. “Decidimos ressaltar as histórias e características dos reiseiros mais apaixonados, sem restringir a denominação de reiseiro aos integrantes. Reiseiro é aquele que ama o reis, seja aquele que vai, seja aquele que recebe”, conclui Cristiano Britto. Além do material captado na festa de 2017, os registros realizados ao longo dos sete anos de desenvolvimento do trabalho estarão à disposição do público interessado em conhecer os bastidores desta iniciativa.

Fonte: Ascom/Secult

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