3 de jan de 2017

A desigualdade aumenta e o Capitalismo vai acabar

CONVERSA AFIADA - PHA

Os Estados Unidos não seguram mais a ordem mundial
publicado 03/01/2017
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Streeck faz do FHC um Astrólogo e do Bacha um Alquimista (Reprodução: LSE.ac.uk)
O professor Luiz Gonzaga Belluzo, gentilmente, enviou ao ansioso blogueiro o artigo “Não importa como você calcule, a desigualdade de renda está piorando”, de Pete Dolack, publicado em 30 de dezembro de 2016.
Trata-se, na verdade de uma atualização do estudo revolucionário de Thomas Piketty, autor de “O Capital no Século XXI”. (ver em tempo).
Dolack demonstra que essa mais recente – e talvez a derradeira – crise do Capitalismo - os salários dos 35 países da OECD – a elite do Capitalismo global – são hoje inferiores ao que eram em 2007, antes da quebra de Wall Street, em 2008.
Para os dez por cento mais pobres os salários na verdade caíram 3,6%.
Enquanto a renda dos ricos só faz crescer: a participação do 1% mais rico dos Estados Unidos na renda nacional dobrou dede 1980 – passou de 10% para 20%.
(E depois se espantam com a derrota da Hillary e a vitória de Trump.
Os americanos só vão entender a vitória de Trump quando lerem Marx ou sua moderna versão, o Piketty…)
Entre os membros da OECD, os mais desiguais são CHILE (herança maldita dos Chicago Boys do Pinochet…), MÉXICO (quem mandou ficar longe de Deus e perto dos EUA…) e… e… e… os ESTADOS UNIDOSthe home of the free and the land of the brave! - quá, quá, quá!
(É claro que a linguagem de Dolack é um pouco diferente dessa que o ansioso blogueiroemprega…)
Uma das causas dessa crescente desigualdade é a acelerada substituição de trabalhadores (cada vez menos sindicalizados) que são recontratados em funções inferiores e com salários menores.
É a glória da terceirização e do acordado sobre a CLT, como se pretende aqui nesse arremedo de Capitalismo de açougueiros.
Um novo estudo de Piketty mostra que o 1% mais ricos dos Estados Unidos recebeu, em 2014, 81 vezes mais do que alguém na fatia dos 50% de renda mais baixa.
Essa razão era de 27 vezes em 1980.
Segundo o professor Belluzzo, Piketty também estuda a conversão das empresas em entidades financeiras.
As empresas deixaram de empreender para se tornar “bancos”, para ganhar dinheiro e entesourar, como se bancos fossem.
A “financeirização” da Economia seria uma saída para a estagnação e a necessidade furiosa de gerar lucros…
Esse é também um dos temas do devastador How Will Capitalism End, de Wolfgang Streeck, Verso, London, New York, 2016.
“Num futuro não longínquo o Capitalismo vai acabar, mesmo que não tenha um sucessor à vista”.
“O Capitalismo vai morrer de “múltipla-morbidade”, com a ocorrência de múltiplas enfermidades, derivadas de uma dinêmica endogena de auto-destuição”.
“Nao será necessário haver uma alternativa revolucionária. Haverá, isso sim, um duradouro 'interregnum', numa situação de 'menos que uma sociedade', ou uma 'sociedade post-social'.”
O que provocará esse interregnum?
• a queda do crescimento econômico;
• a intensificação do conflito distributivo;
• a decorrente desigualdade de renda;
• a falêcia das políticas macro-econômicas;
• o crescimento desenfreado da dívida;
• a inundação da oferta de moeda;
• a possibilidade sempre presente de uma nova quebra do sistema como um todo;
• a suspensão dos programas sociais que nasceram no pós-guerra;
• o fim da Democracia e ascensão de uma nova Oligarquia;
• a incapacidde de os governos impedirem a commoditização do trabalho;
• a onipresença da CORRUPÇÃO de todos os tipos, como forma de sobreviver à competiçao do tipo ”quem vencer leva tudo”;
• as ilimitadas oportunidades de se tornar milionário rapidamente;
• a erosão da infra-estrutura;
• efeitos de privatização generalizada;
• a incapacidade de a Nação-Patrona do Capitalismo, os Estados Unidos, construir e manter uma ordem mundial.
Tudo isso vai resultar num CINISMO despudorado.
Todo mundo sabe que faliram os instumentos construídos, especialmente no pós-Guerra, para evitar que o Capitalismo se arrebentasse a cada crise.
Mas, será preciso fingir que tudo o que se faz – na Teoria e na prática- , em nome estabilidade, nada mais é que um remendo para salvar os bancos.
Os Bancos Centrais nada mais são que credores de Bancos Centrais, que são credores dos bancos.
E isso tem hora para acabar.
ansioso blogueiro não pretende, nem de longe, equiparar-se ao Elio Gaspari, notável Historialista, que, de fato e direito, se tornou o Correspondente da Amazon no Brasil, através de uma seção de livros que publica aos domingos no Globo e na Fel-lha.
Mas, recomenda enfaticamente o livro do Streeck.
Fará da Sociologia do Príncipe um execício de Astrologia.
Da Economia do Edmar Bacha e Armínio NauFraga, uma experiência de Alquimia.
E do Jornalismo da Cegonhóloga um ato de Ilusionismo em circo de subúrbio.
(Em tempo: como se sabe, a comunidade acadêmica universal – de Cambridge na Inglaterra a Cambridge em Harvard - aguarda ansiosa o veredito da Cegonhóloga sobre a obra de Piketty. Enquanto ela não se pronunciar, a Academia não ousará expor sua avaliação. Já que ela é o que de melhor o pensamento neolibelês conseguiu produzir no Brasil!)
PHA