Posto que inspirou a Lava Jato é processado por fraude na venda de combustíveis

POLÍTICA LIVRE

Foto: Reprodução
Posto da Torre, em Brasília
O posto em Brasília que serviu de inspiração para dar o nome da maior operação de combate à corrupção no País entrou mais uma vez no radar da Justiça e está sob suspeita, segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, de fraudar a venda de combustíveis aos seus clientes, cobrando um valor acima do que, efetivamente, era abastecido nos carros. Diante disso, a 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) entrou com uma ação civil pública na Justiça para que o posto seja obrigado a ressarcir os consumidores e ainda pagar dano moral de R$ 100 mil. Na terça-feira, 22 de novembro, o juiz Leandro Borges Figueiredo, da 8ª Vara Cível do Distrito Federal deu 15 dias para que o estabelecimento encaminhe as notas fiscais de todo o volume de combustível que foi comprado e do que foi vendido nas bombas de 31 de março a 20 de maio de 2014. “É imperioso para a apuração do caso que a ré traga ao juízo os documentos que demonstrem o ‘quantum’ foi vendido no período em que as bombas estiveram com vazão inferior ao registrado”, assinalou o magistrado. A diferença entre a pressão nas bombas e os valores cobrados foi constatada em duas fiscalizações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em março e maio daquele ano. A ANP, contudo, não foi a única a vistoriar o local. Em 17 de março de 2014, a Polícia Federal também visitou as dependências do Posto da Torre – um complexo comercial que inclui até lanchonete e lavanderia – em uma operação para apurar um esquema de lavagem de dinheiro que tinha como um dos doleiros principais Carlos Habib Chater, dono do posto. Era a primeira etapa da Lava Jato, deflagrada por determinação do juiz federal Sérgio Moro, até então um magistrado pouco conhecido. Naquela época a operação já suspeitava que o local funcionava como uma lavanderia de dinheiro sujo. Com o avanço das investigações, a PF acabou revelando que o posto localizado próximo à Torre de TV de Brasília, um dos pontos turísticos da capital federal, e há três quilômetros do Congresso funcionava como um verdadeiro ponto para deputados buscarem a propina distribuída no esquema de corrupção na Petrobrás. Um laudo da PF feito em 2014 identificou na contabilidade do Posto da Torre que o estabelecimento foi utilizado para gerenciar contas que movimentaram pelo menos R$ 10,8 milhões entre 2007 e 2014. A perícia mostrou ainda que o dinheiro transitou por 375 contas. Dois anos e oito meses depois do início da Lava Jato, Chater foi condenado em duas ações da operação a penas que somam 10 anos e três meses. Seu posto também já foi condenado, segundo o Ministério Público, três vezes por vender combustíveis sem autorização e uma vez por justamente vender menos combustível do que o cobrado nas bombas.
Estadão
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