12 de mai de 2016

Temer nomeia alvos da Lava Jato para ministério

BRASIL - POLÍTICa livre

Geddel Vieira Lima (PMDB-BA)
O presidente da República em exercício, Michel Temer, anunciou para sua equipe de ministros três peemedebistas alvos da Operação Lava Jato. Passam a integrar o primeiro escalão do novo governo o senador Romero Jucá (RR), que assume o Planejamento; o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (RN),que volta ao comando do Turismo; e o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (BA), que assumirá a Secretaria de Governo. Os dois últimos passam a ter o chamado “foro privilegiado” e, agora, só podem ser investigados perante Supremo Tribunal Federal (STF). Antes da decisão sobre o afastamento de Dilma Rousseff, Temer havia anunciado a montagem de um ministério de “notáveis”. Ele disse publicamente que o fato de ser investigado não seria impeditivo para a nomeação de seus auxiliares. Um dos principais aliados de Temer, com atuação importante na negociação dos votos do impeachment, Jucá é investigado no Supremo por suposto recebimento de dinheiro desviado da Petrobrás e do setor elétrico. Um inquérito apura se ele cometeu crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A apuração começou a partir dos depoimentos de delatores dos esquemas, entre eles o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Em depoimento, Costa afirmou que negociou com Jucá e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apoio à sua permanência no cargo em troca de propinas ao partido. Recentemente, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a abertura de novas linhas de investigação contra Jucá e outros integrantes da cúpula do PMDB por possível envolvimento em desvio de recursos das obras da Hidrelétrica de Belo Monte e outros projetos do Ministério de Minas e Energia. A suposta participação do agora ministro foi citada na colaboração do ex-senador Delcídio Amaral (sem partido, ex-PT-MS). Geddel Vieira Lima, que agora cuidará do relacionamento do governo com o Congresso, é citado nas investigações da Lava Jato. Ele aparece nas mensagens com Léo Pinheiro tratando do atendimento de interesses da OAS em órgãos do governo, entre eles a Caixa. Além de ex-ministro da Integração no governo Lula, ele foi vice-presidente do banco estatal no primeiro mandato de Dilma, mas depois migrou para a oposição. Nas mensagens com Pinheiro, Eduardo Cunha menciona o pagamento de R$ 5 milhões a Temer e reclama de compromissos adiados com a “turma”, que incluiria Geddel e Alves. O peemedebista, no entanto, tem alegado que o valor se refere a uma doação oficial, devidamente registrada, feita pela empreiteira ao partido. Tanto Alves quando Geddel admitem ter tratado com Pinheiro de questões de interesse dele, mas negam quaisquer irregularidades no relacionamento com o empreiteiro. Leia mais no Estadão.