26 de fev de 2016

Renova faz reestruturação para poder voltar a crescer

A Renova Energia passa por um ano de “arrumação” depois do fim do acordo bilionário de venda da carteira de projetos para a americana SunEdison.

“Eu chamo 2016 de ano do freio de arrumação. Tínhamos um ‘pipeline’ de projetos acelerado, houve uma mudança nas condições externas e perdemos a capacidade de reciclar o capital que achávamos que íamos ter”, explicou Carlos Waack, presidente da companhia desde janeiro.

A “reciclagem” de capital a que ele se refere era a venda de uma carteira de projetos de 2.204,2 megawatts (MW) em capacidade instalada à SunEdison. Os ativos eram avaliados em R$ 13,4 bilhões, que seriam pagos em ações da TerraForm Global, veículo liderado pela empresa americana que fez sua estreia no mercado em agosto de 2015.



O fim do acordo foi anunciado no início de dezembro e a Renova começou a implementar uma reestruturação para viabilizar seus negócios. Uma parte das mudanças foi anunciada no começo de fevereiro – um aumento de capital de R$ 731,25 milhões. A Cemig, acionista que tem 27,35% das ações da companhia, se comprometeu a subscrever R$ 240 milhões desse aumento de capital.

“A Renova, por ser de capital intensivo, sempre precisa de aumento de capital, é da natureza do negócio. A opção anterior era a reciclagem do capital, tivemos alguns problemas e não funcionou exatamente como o esperado”, disse Waack. Segundo o executivo, em um mercado de dívida cara, essa foi a solução encontrada.

“É uma expectativa pessoal, acho que é natural a subscrição total não acontecer”, afirmou. Apenas a parcela referente à Cemig já resolve as necessidades da companhia agora. “Os R$ 240 milhões são exatamente o que a gente espera, qualquer coisa acima disso virá no benefício da companhia”, afirmou. Se apenas a Cemig subscrever o aumento de capital, sua participação na Renova vai para 33,6% do capital total.

Além dessa medida, a Renova adotou outras ações para ficar com uma estrutura “mais leve” e se adequar ao cenário do mercado, como renegociações de dívidas, antecipação de recursos de contratos de energia e a “reestruturação” do quadro de funcionários.

“Não tenho nada assinado, mas todos os contratos de mercado livre, sem exceção, estamos negociando”, disse Waack. A estratégia nesse segmento é aproveitar que os preços do mercado livre estão mais baixos hoje do que quando a Renova firmou seus contratos de longo prazo. A empresa está aproveitando para adiar projetos que foram vendidos no mercado livre a preços mais altos, comprando energia em contratos de médio prazo a um preço menor para cumprir essas vendas. A diferença entre preço da energia vendida e comprada será capturada pela empresa.

“A estrutura atual da Renova tem um potencial de crescimento relativamente limitado. A ideia da reciclagem era conseguir manter um ritmo de crescimento mais acelerado com o mercado de capitais fechado que temos hoje. Já estamos analisando opções para manter o crescimento quando o mercado se normalizar”, disse Waack. Para ele, esse “freio de arrumação” tem que acontecer em 2016, para que a companhia equacione os problemas e fique pronta para voltar a expandir as operações quando achar “o vetor de crescimento” desejado.

A paralisação nas obras de transmissão da Abengoa que vão escoar a energia de projetos da Renova no Nordeste deve afetar a companhia. Apesar de apontar que os efeitos no sistema são negativos, Waack reconhece que a Renova pode tirar proveito da situação. “No mercado regulado existe a figura da concatenação. Eu posso ajustar a entrada do meu projeto com o cronograma da linha. Se o atraso não é meu, não tem penalização”, explicou.

A companhia foi uma das muitas chamadas pelo governo para conversar sobre uma solução para o problema da Abengoa. Segundo o executivo, as conversas ainda estão acontecendo, há estudos sendo feitos, mas ainda não chegaram a uma conclusão.

Considerando a participação de 11% que a Renova tem na Terraform Global, a empresa tem 653,3 MW de projetos em operação.

Via: Folha de São Paulo — Clipping de notícias de Leônidas Herndl, com informações do país e do mundo, além de finanças, economia e demais temas pertinentes.

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