23 de nov de 2015

Fogo agora atinge área de difícil acesso na Chapada


Agricultores responderão a processo por queimadas 

por
Albenísio Fonseca TRIBUNA DA BAHIA



Foto - GOOGLE.
Dois grandes focos de incêndio ainda permanecem na região do Parque Nacional da Chapada Diamantina – um território do tamanho do estado da Paraíba - e em áreas de municípios do entorno. Há estimativas de que as chamas possam já ter consumido cerca de 12,6 hectares (ha). Desse total, cerca de 6 ha na região Norte do Parque e outros 6,6 ha em áreas fora da poligonal, de acordo com César Gonçalves, chefe substituto na Bahia. 
O fogo na região do Morro Branco, próximo ao povoado do Capão, segundo ele, “envolve uma área de difícil acesso, com terreno caracterizado pela presença de grandes pedras e fendas de até 10 metros de profundidade”. Agora, a estratégia, disse, é a de “evitar que as chamas se espalhem”, mas considerou ser “impossível apagar o fogo por completo”. 
A situação foi confirmada por Emanuel Dutra, representante do Inema na região. Dutra disse haver “necessidade de que o fogo consuma a vegetação e matérias orgânicas acumuladas nas fendas, restando apenas a alternativa de manter o controle para evitar que as chamas se expandam”. Segundo ele, “o fogo não será apagado da noite para o dia”. Disse que “ainda há resistência das chamas, também, em Barro Branco, a cerca de 10 km de Lençóis”.
Gonçalves considera “mais eficientes as ações dos aviões empregados para lançar água sobre os focos nas áreas altas, mas de pouca eficácia em locais como Morro Branco”. Ele destacou a importância dos helicópteros para o transporte de pessoal durante o dia, mas destacou que a ação das brigadas têm ocorrido mais à noite, por conta do forte calor durante o dia, quando ocorre a atuação dos bombeiros seja no ataque direto a chamas, seja no trabalho de rescaldo.
O chefe do Parque Nacional disse que o incêndio de grande proporções que ocorria entre Palmeiras e Lençóis já estaria controlado, mas sob monitoramento. Em Mucugê, o grande foco existente também estaria sob controle e monitoramento, mas vários pequenos focos ainda permanecem. Ele considerou os incêndios verificados em 2015 como os de maior sequência dos três últimos anos, mas que em períodos anteriores já ocorreram situações ainda mais complicadas. 
A proposta de criação de uma guarnição efetiva de bombeiros na região, segundo ele, não pode ser considerada como uma solução. Debelar os incêndios registrados anualmente na Chapada “não é uma ação simples”. Para Gonçalves, “não há uma fórmula específica e não bastará ter uma monitoria”, mas que será preciso “adotar o manejo integrado do fogo, com a remoção mecânica de áreas de vegetação e a construção de barreiras físicas que impeçam as chamas de se alastrar”. 
Dutra recordou que os incêndios começaram há 10 dias em dois pontos no entorno de Mucugezinho, ao lado da BR-242, e que se disseminaram à direita e à esquerda, embora o combate tenha começado no mesmo dia. Ele destacou, ainda, não haver ameaça do fogo atingir as cidades e que o comando de todas as intervenções de combate às chamas, promovidas pelo Governo do Estado, estão centralizadas em Lençóis.
Bombeiros deslocados de Brasília já estão na região

Foto - GOOGLE.
Para atuar no combate ao incêndio que atinge a região, 47 bombeiros de Brasília já se encontram na Chapada Diamantina. Eles chegaram na tarde do último sábado (21) e estão sob o comando do comandante geral do Corpo de Bombeiros da Bahia, coronel Francisco Telles. A ação, que já conta com bombeiros, brigadistas e voluntários baianos, teve também o reforço, na sexta-feira (20), de um novo helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB), considerado um dos mais modernos do mundo. O helicóptero Caracal substitui o modelo Super Puma, que estava auxiliando no combate ao fogo e retornou à sede da instituição, no Rio de Janeiro. 
Segundo o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler, o fogo está sob controle, mas não foi debelado completamente. Na madrugada de sexta-feira (20), dois novos focos de incêndio, com indícios de serem propositais, foram debelados nas margens da BR-242. De acordo com Nota do ICMBio-Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que gerencia a área do Parque Nacional da Chapada, os focos que atingiam a região do Rio Mucugezinho já estão sob controle e a equipe de combate passou o final de semana realizando o trabalho de rescaldo. Outro incêndio dentro do Parque atinge a região do Vale do Capão e é o que mais passou a despertar preocupação por ficar em área de difícil acesso.
O terceiro foco de incêndio é no município de Mucugê. A equipe está trabalhando para que ele não invada a área do Parque. Na região há outros focos de incêndio em áreas bem distantes do Parque, onde o combate ao fogo não é responsabilidade do ICMBio, como o que atinge o município de Senhor do Bonfim, considerado de grande proporção.
O trabalho na Chapada Diamantina conta com mais de 200 participantes, entre militares da FAB, Exército, bombeiros, brigadistas voluntários capacitados pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema), técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), de prefeituras locais e brigada do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), além de sete carros-pipas disponibilizados pelos municípios para que o fogo seja controlado o mais rápido possível. 
O combate às chamas conta, ainda, com apoio das 25 brigadas voluntárias dos municípios de Lençóis (BRAL e BVL), Palmeiras (Vale do Capão, Barra e Tejuco), Mucugê (Barriguda), Piatã, Ibicoara (ACV-IB, Bicho do Mato e Radical Chapada), Barra da Estiva (Guerreiros) e Andaraí (CIFA), além de moradores das cidades da Chapada, a exemplo de Seabra, que se apresentam como voluntários.
Agricultores responderão a processo por queimadas 
A maior série de focos de incêndios dos últimos tempos da Chapada Diamantina deixou em alerta moradores e órgãos públicos da região. No sábado (21), a Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Ibicoara recebeu a denúncia de que dois agricultores teriam ateado fogo em uma área para plantio de café, prática agrícola comum para limpeza do terreno.
Os agricultores foram conduzidos para a delegacia daquele município. E, após serem ouvidos pelo delegado Alex Wendel, que alertou sobre o perigo da ação, foram liberados mas responderão a processo, pagarão multa e devem realizar ações socioambientais. O delegado recomenda que agricultores, caçadores e trilheiros precisam estar atentos ao risco do fogo, pois as consequências de perder o controle sobre uma chama são desastrosas. 
Área do Parque 

O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) situa-se no centro do Estado da Bahia (BA) e foi criado pelo Decreto Federal N°. 91.655, de 17 de setembro de 1985, ocupando uma área de aproximadamente 152.400 ha. Seu objetivo, segundo o Decreto de Criação, é proteger amostras representativas da serra do Sincorá, uma das feições que compõem a chapada Diamantina que, por sua vez, faz parte da serra do Espinhaço. 
O Parque é uma área rica em nascentes, em uma região seca, e tem exuberante beleza cênica, tornando-o atraente para o turismo. Passados 22 anos de sua criação, o IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o órgão responsável por sua gestão. 
Conforme a legislação, um parque nacional “tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico”